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Somos muito caretas pra avaliar o comportamento da galera jovem, com  hormônios em ebulição, no tesão da idade, com muito mais liberdade sexual, onde sexo explicito de todo jeito está a um toque no celular, um mundo a cada dia mais narcisista, das aparências, do imediatismo.

Por isso não caio na tentação do “ANTIGAMENTE É QUE ERA BOM”!

Cada época tem seu estilo e comportamentos que influenciam o imaginário musical.

Pois bem! De  uns  tempos para cá, um gênero tomou conta do pedaço: o “funk brasil”. Embora muitos considerem uma cópia piorada do funk americano , o brasileiro tem suas peculiaridades. Nasceu realmente como a derivação de um estilo chamado “ Miami bass”, mas com o tempo criou um linguajar próprio, se apropriou do bitbox, aquelas baterias com a boca e roubou do rock o desbocamento e a sexualidade latente, com letras pra lá de explicitas. E não há como negar que é uma expressão cultural das periferias, com história e uma linha evolutiva.

Mas deixa eu dar outra contextualizada. Durante a década de 80 até houve relativo espaço pro Rock Brasil, mas dos anos 90 para cá o Sertanejo tomou conta e ocupou as paradas de sucesso.

Os prefeitos  viram nos eventos “agropopulistas” a oportunidade de faturar alguns votinhos e com isso, na grande maioria das prefeituras, cerca de 80% dos orçamentos da cultura iam para o bolso dos produtores  e para os clubes do cavalo.

Cavalgadas e eventos agropecuários mataram a MPB e a poesia.

Foi triste. Lembro-me de uma época em que aconteciam vários festivais de música pelo país.

Em Itabira,  mesmo havia um FESTIVAL de MÚSICA excelente. Lotava ginásio e atraía bons públicos.  Em Alvinópolis também tinha um festival famoso. João Monlevade fazia o FESTIAÇO. As letras eram excelentes, poesias da melhor qualidade, músicos também excelentes e havia espaço para a criatividade, para os novos compositores.

Mas tudo passa…

Vamos voltar um pouco mais no tempo…

Mais antigamente ainda a música era quase um privilégio das classes mais abastadas, a chamada música clássica, executada por orquestras e instrumentos tradicionais.

Era a chamada alta música, alta cultura, feita para  as altas cortes.

Mas com o tempo a música foi descendo para as camadas inferiores, foi ficando acessível para as pessoas comuns e a chamada música popular foi ganhando terreno no planeta.

Desde o início do século, tivemos diversos estilos se sucedendo na música popular. O bolero já fez grande sucesso, o foxtrote, o tango, o samba canção, o rock, o pop, a mpb, até chegarmos à fase atual.

Tudo passa…

Hoje, o FUNK BRASIL é que desceu do morro e virou fetiche. É engraçado ver naqueles reels do INSTAGRAM  meninas lindas de todas as classes sociais dançando coreografias sensuais, cheias de braços e bundas, muitas bundas, coreografias para bundas e aquelas letras indecentes de fazer corar qualquer mulher de vida difícil.

A música, como as artes plásticas, foi enquadrada pelo mercado comercial publicitário, sendo deslocada do terreno da arte e do arrebatamento para o atendimento de demandas.

E as demandas fisiológicas falam alto e continuam mandando no mundo.

Importante dizer que nada tenho contra as bundas, muito antes pelo contrário, mas tomara que o pós pandemia nos traga alvo novo na música, novas composições, novas ideias, novas letras, harmonias, melodias, um pouco de música para o cérebro também, afinal, música pra bunda já temos demais.

Marcos Martino
Marcos Martino é alvinopolitano, compositor, cantor, produtor musical, articulista, ex-assessor de Comunicação da Prefeitura e ex-presidente da Casa da Cultura de João Monlevade.

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    Abel ferreira
    Abel ferreira
    20 dias atrás

    Ótimooooo texto showwww parabéns

    Marcos Martino
    20 dias atrás

    Houve um tempo em que arte e cultura abundavam…mas não era tão literal assim…

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