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A escolha da data recorda a realização do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu em 19 de abril de 1940, em Patzcuaro, no México. O objetivo deste congresso era reunir os líderes indígenas das diferentes regiões do continente americano e zelar pelos seus direitos. Na ocasião, foi proposto que os países da América adotassem o dia 19 de abril como o Dia do índio.

CARMÉSIA É REFERÊNCIA REGIONAL

Afinal, antes da chegada dos primeiros europeus em terras americanas, todos os países que formam este continente eram amplamente povoados por grandes nações indígenas. A ganância e a crueldade humana fizeram com que muitas tribos fossem totalmente dizimadas e grande parte da cultura indígena fosse esquecida.

No Brasil, a data foi oficializada por meio do Decreto-lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943, e tem como objetivo mostrar à população brasileira o quanto o povo indígena contribuiu para a sua formação. Desde 1993, ano a ano e às vezes mais assiduamente, quando ocorriam fatos interessantes em Carmésia, lá estava a reportagem de Itabira e Centro-Leste em Revista fazendo cobertura.

Carmésia, com 2.664 habitantes (IBGE, 2020), distante 97 quilômetros de Itabira, abriga cerca de 300 indígenas no Posto Indígena Guarani. Lá vivem mais de 80% do grupo Pataxós e o restante distribuído entre Krenaks e outros grupos menores, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai)

EX-FAZENDA GUARANI

O nome Aldeia Guarani não advém de nenhum grupo indígena, mas de outra origem. Onde eles habitam existia a Fazenda Guarani, que pertencia ao senhor José Pereira Ribeiro de Magalhães, que doou as terras à Casa de Misericórdia de Guanhães, que a transferiu ao Governo do Estado e este à Polícia Militar. A área territorial ultrapassa os 5 mil hectares e é quase toda  coberta de mata atlântica, fato que sempre impediu que neles desenvolvessem o plantio e  a criação de animais.

Polêmicas se difundiram sobre a questão dessas ocorrências. Uma delas refere-se ao uso da Fazenda Guarani para ponto de treinamento de índios que serviriam de informantes em conflitos com grupos de guerrilheiros. O fato sempre foi desmentido na região.

A versão mais aceita em Carmésia e em cidades vizinhas é que os índios Pataxós, vindos de Resplendor (MG), tornaram-se os donos das terras, mesmo com disputas entre pequenos grupos.

O QUE RESTA DA CULTURA PATAXÓ

A resistência entre os Pataxós de Carmésia durou longo tempo sobre uma velha tradição moral. Por exemplo, não permitiam que um estranho chegasse e fizesse amizade ou namorasse alguma índia. Mas essa cultura mudou com o tempo e tem havido união entre índios e não índias, como também o inverso.

Até há pouco tempo era praticado o ritual para a simples aceitação em namoro entre os próprios indígenas. Diziam eles: “Quem quer namorar atira uma pedrinha na índia e se essa devolver a pedra está iniciado o romance”. Já o ritual do casamento é mais rigoroso: é feito por meio da religião a que chamam de “Auê”.

O noivo só tinha quatro meses de prazo para preparar-se para o casório e o preparativo é feito com o carregamento de uma pedra de 50 kg. Se não der conta de executar a tarefa (carregar a pedra a uma distância de um quilômetro), não é realizada a cerimônia.

Também resistiram por muito tempo o linguajar pataxó, mas somente entre os que receberam as aulas das primeiras letras.

Hoje os índios vivem mais de recordações. Os velhos foram desaparecendo-se do cenário e levaram grande parte do tradicionalismo local.

Hoje, no entanto, todos comemoram o seu dia, a Aldeia Guarani está em festa.

NS

Fotos: NS e Divulgação

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CARLA
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16 dias atrás

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