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O ex-bilionário Eike Batista, atualmente impossibilitado de assumir cargos executivos, tem trabalhado duro para evitar mais um tombo e conter a falência da mineradora MMX, uma das poucas companhias do grupo EBX que restaram em suas mãos. Para isso, o empresário se uniu ao fundo de private equity China Development Integration Limited (CDIL), que prometeu aportar até 200 milhões de dólares (mais de 1,1 bilhão de reais).

Empresário Eike Batista: dinheiro na mão para salvar MMX ou auditoria em seu encalço?

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Os planos declarados pelo CEO da Rubicon para a mineradora do ex-bilionário Eike Batista são livrar a mineradora da falência e, posteriormente, entrar com um novo pedido de recuperação judicial.

UMA NOVA SHELL NO BRASIL

Guimarães vê a MMX se tornando uma “Shell” no mercado de minério de ferro do Brasil. “A gente está negociando há seis meses, conversando com credores e com os administradores judiciais, verificando uma forma de trazer a companhia de volta”, diz o executivo. “Vamos fazer da MMX uma “Shell’ de minério e, eventualmente, mudar o seu nome, porque há por trás toda uma carga envolvendo o Eike”. Questionado se os chineses seriam contrários à participação do ex-bilionário no projeto futuro, ele diz que não é bem assim: “O Eike sairia da MMX, mas o statement do fundo chinês tem interesse em ver coisas com ele. Não há preconceito algum”.

A Rubicon afirma que, com o montante a ser aportado, será possível reestruturar a companhia de Eike, tirando o projeto da mina de Bom Sucesso (MG) do papel e arcando com todas as suas dívidas, algo que destoa da realidade: a MMX tem dívidas acima da casa de 1 bilhão de reais.

CAPITAL ‘INFINITO’ DA CHINA PODE NÃO EXISTIR

Em março passado a mineradora MMX divulgou em fato relevante que havia chegado em um acordo para receber 50 milhões de dólares da companhia sediada em Hong Kong. Tudo indica que essa ‘verba infinita’, no entanto, possa não existir.

Foi constatado pela Associação Brasileira de Investidores, a Abradin, por meio de uma pesquisa no registro de empresas de Hong Kong, que o capital do fundo “multibilionário” CDIL é de apenas 128,6 dólares.

Além disso, o único diretor da empresa, Andy Lai, presidente do conselho da empresa chinesa CDIL, é ligado a um escândalo envolvendo uma corporação criada para evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele ainda é diretor de aproximadamente 20 empresas, todas sediadas no mesmo endereço.

A descoberta pode colocar em xeque os planos do CDIL de fazer barulho no mercado brasileiro. Além de prometer um cheque em branco para desenvolver os projetos da mineradora de Eike, o fundo asiático acenou com a possibilidade de compra do Porto do Açu (outra obra do ex-bilionário) e participação ativa nos leilões promovidos pelo Ministério da Infraestrutura, com investimentos em aeroportos, ferrovias e portos, além de oportunidades em geração de energia eólica e solar.

POR ENQUANTO, SÓ INTERROGAÇÕES

 

Até agora nenhum investimento aconteceu e Segundo Aurelio Valporto, presidente da Abradin, há evidências fortes de fraude. Esse leque de ativos dos sonhos foi definido pelo fundo de investimentos Rubicon, parceiro dos chineses no Brasil. “Fomos a Brasília conversar com o ministro (da Infraestrutura) Tarcísio Freitas para entrarmos no Aeroporto de Viracopos”, diz Pedro Guimarães, CEO da Rubicon. “Visitamos o Porto do Açu. Há um interesse enorme para desenvolver um projeto de energia lindo lá”, complementa. Um funcionário do governo confirmou a conversa com integrantes da pasta, mas minimizou a expectativa do fundo chinês. “Falaram ‘por alto’ em investir no país. Mas é furada. Sabemos distinguir o que é concreto do que não é”, disse.

Rubicon anunciou em novembro que receberia 200 milhões de dólares para iniciar a expansão dos chineses em solo brasileiro, porém até o momento nada de concreto aconteceu.

Para o presidente da Abradin, Aurelio Valporto, há evidências fortes de fraude – não só no mercado financeiro, como no judiciário. “Estamos diante de fortes indícios de manipulação de mercado e até mesmo processual”, diz. “Esse fundo chinês não é sério e o que está sendo feito é, acima de tudo, uma tentativa de humilhar o judiciário brasileiro, com uma fraude processual”, ataca.

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Além disso, há contradição no fato comunicado usado pela mineradora MMX de Eike para celebrar o acordo com o fundo chinês. Enquanto a petição fala em aporte de capital de, no mínimo, 50 milhões de dólares, o term sheet, uma espécie de carta de intenções firmada entre as empresas envolvidas no negócio, propõe que o fundo invista até 50 milhões de dólares. Pode parecer um detalhe, mas é uma mudança que faz toda a diferença.

A Vetorial Mineração, responsável pela única receita da empresa de Eike atualmente (ao fazer o pagamento anual de 500.000 dólares à MMX pelo arrendamento de um complexo de minas no Mato Grosso do Sul), também enxerga o movimento como uma tentativa de protelar a falência da empresa na Justiça. “A nossa leitura é de que todo esse jogo de cena foi criado às pressas para reembaralhar as cartas do processo judicial. Assim, eles ganham tempo e tentam escapar da falência. Só vejo esse tipo de cenário”, diz Gustavo Correa, sócio e conselheiro da Vetorial.

Questionado sobre a suspeição de fraude e se foi feito uma due dilligence (uma análise aprofundada) da operação, o CEO e diretor de relações com investidores da MMX, Joaquim Martino, foi evasivo. “Até agora, toda a interlocução que foi feita com as pessoas nos leva a crer que não haja fraude envolvida no processo. Se tivesse fraude, isso teria sido identificado pelas várias empresas que assessoram a operação”, diz ele, sem detalhar quais foram as empresas responsáveis por realizar a auditoria no processo.

Por  Flavia Marinho

FOTOS: Notícias Mineração/DIVULGAÇÃO

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