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Quem é capaz de responder a essa pergunta? Bom, para começarmos a tentar desvendar o problema, vamos pensar na história recente. No começo só existia música ao vivo. Não havia maneiras de gravar música. Ai surgiram os discos de vinil que reinaram por um bom tempo. Depois vieram as fitas k7, depois os CDS, MDs, DVSs  e agora, toda a música está na nuvem.

O FIM DA MATERIALIDADE

Não adianta romantismos do tipo…” – ah…bom era no tempo dos LPS, a gente tinha as capas, podia ler as letras”. O pessoal mais novo não quer saber. As novas gerações ouvem música pelo spotify. Não tá nem aí pra capa e encarte. Quem faz seu playlist não é mais o DJ da Rádio. Aliás, ele já não ouve mais rádio. E aí? Como é que fica? Será que esse comportamento de consumo vai decretar o fim do rádio? Será que o veículo vai saber se re-significar? Um desafio imenso para os profisisonais da área. De repente o mundo inteiro foi parar no smartphone e na nuvem. Ô nuvão hein? Mas mineirismos à parte o grande desafio é : como monetizar nesse mundo novo?

A UBERIZAÇÃO DO COTIDIANO

O que temos assistido é uma espécie de Uberização da vida. Os apps disruptivos vão chegando e demolindo velhas práticas. O fato da pessoa poder acessar suas músicas e artistas na nuvem, faz com que não tenha de dispor de memória em seu smartphone. É muito prático. Mas para o sujeito ganhar dinheiro…ufa…é um custo. Por que só ganha quem vende milhões. O mercado tem sua lógica própria. O artista pra vender milhões precisa conseguir atingir milhões, precisa ter o sistema agindo a seu favor e gastar um bocado de dinheiro pra chegar nesses milhões. Quando o CD ainda era usual, o artista que gravasse e vendesse 15.000 unidades, fazia um dinheirinho. Hoje CD não vende e 15000 é audiência ínfima pra internet.

O IMPÉRIO DO NOVO

O mercado pop tem uma natural propensão a valorizar o novo. Não é só na música. Tem de lançar o IPHONE novo, o carro modelo do ano, a nova camisa do time. E com o mundo da música não é diferente. O pessoal consome o lançamento da vez, os bonitinhos e bonitinhas da estação,a nova banda, o novo hit. As novas Anittas e o MC da vez ficam ricos da noite pro dia. Mas os artistas mais maduros, mesmo tendo obra relevante no cenário da MPB, já não conseguem monetizar. Mundialmente, compositores como Paul Mcartney começam a questionar o streamming pela sua lógica que favorece os donos dos negócios, mas não a quem produz conteúdo. Ficou mais fácil divulgar, a pirataria campeia e monetizar, ganhar dinheiro ficou muito mais difícil.

E O PÓS PANDEMIA?

O cenário que já era depressivo virou catástrofe. No inicio foi um festival de lives. Depois a fórmula foi se desgastando e era de se esperar. Muito amadorismo e o pessoal foi enjoando. Já é perceptível um êxodo de artistas, muitos virando motorista de UBER ou pegando qualquer bico. Mas como diz a máxima capitalista, enquanto uns choram, outros vendem lenços. Da mesma forma que tem uma galera que está com dificuldades de capitalizar, tem gente ganhando dinheiro e se dando bem.

PRA ONDE VAI A MÚSICA – A SÉRIE

Inspirado na pergunta, estou produzindo e lançarei em breve uma série  de entrevistas com artistas e profissionais da música, tentando compreender as tendências, as visões dos produtores e artistas, também do pessoal que trabalha com marketing digital aplicado à música, pra tender traçar um painel sobre economia da música, sobre o cenário pós pandêmico e sobre esse interface do mundo analógico com o mundo digital, que gera tantos conflitos e adaptações. Convido vocês a seguirem comigo.  Fiquem atentos. Lançamento em breve em todas as redes sociais.

Marcos Martino
Marcos Martino é alvinopolitano, compositor, cantor, produtor musical, articulista, ex-assessor de Comunicação da Prefeitura e ex-presidente da Casa da Cultura de João Monlevade.

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