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Com cachoeiras, cânions, trilhas e natureza exuberante no entorno, Serra dos Alves é um vilarejo “perdido” entre as montanhas de Minas. “Perdido” não seria o termo correto, porque nos últimos anos o número de turistas tem crescido, ainda que de forma um tanto tímida, principalmente depois do início da pandemia.

Com pouco mais de cem moradores, o vilarejo está a 14 km de Senhora do Carmo, distrito de Itabira. Bucólico, o cenário de Serra dos Alves é típico do interior de Minas: a capela de São José em frente à pracinha, cercada de casinhas coloridas e quintais floridos. “Estamos no lado B da Serra do Cipó”, afirma o guia Roneijober Andrade.

“A Serra dos Alves é o Lado B da Serra do Cipó e se destaca nesse trajeto” (Roneijober Andrade, autor também da foto)

“A Serra dos Alves é o Lado B da Serra do Cipó e se destaca nesse trajeto” (Roneijober Andrade, autor também da foto)

O contato com a natureza e o sossego são os maiores atrativos do lugar. Os locais mais procurados são as cachoeiras. “Na região de Ipoema e Senhora do Carmo, já cataloguei 49 cachoeiras”, informa o guia. Serra dos Alves está inserida na Área de Preservação (APA) do Morro da Pedreira e tem como vizinho o Parque Nacional da Serra do Cipó.

Profundo conhecedor da região, Roneijober Andrade oferece aos visitantes nove passeios guiados para descobrir seus atrativos, a partir de Ipoema, onde construiu uma aconchegante pousada. Um deles leva ao cânion e à cachoeira dos Marques, formada pelas águas do rio Tanque, onde pequenas quedas d’água criam piscinas naturais.

No trajeto da Serra dos Alves está localizada a muito admirada Cachoeira do Bongue (Foto de Roneijober Andrade)

No trajeto da Serra dos Alves está localizada a muito admirada Cachoeira do Bongue (Foto de Roneijober Andrade)

ROTEIROS

Os roteiros duram o dia inteiro, custam R$ 20 por pessoa, têm parada para almoço e limitam os grupos a dez pessoas. O visitante acostumado a caminhadas e com bom preparo físico tem a opção de alcançar as cachoeiras por trilhas na mata. Para quem não curte trajetos longos, Roneijober recomenda fazer uma parte de carro e outra por trilha.

Atrativos são muitos e o visitante/turista pode estar sempre refrescado em vários locais (Foto de Roneijober Andrade)

Atrativos são muitos e o visitante/turista pode estar sempre refrescado em vários locais (Foto de Roneijober Andrade)

Outro ponto muito visitado é a cachoeira do Bongue, que pode ser casada com o mirante dos Alves. Com grau médio de dificuldade, o acesso à queda d’água é curto (30 minutos de carro e uma hora de trilha ou 6 km de caminhada, ida e volta), mas difícil por contra do terreno íngreme e sinuoso e das pedras muito escorregadias.

O guia Roneijober enquadra ainda em um mesmo roteiro três cachoeiras – Alta, do Meio e Patrocínio, com parada no restaurante Amaro para almoço e um final de tarde para apreciar o pôr do sol no Morro Redondo, um mirante de 1.200 m, de onde se tem uma vista panorâmica da região. Mais distante, cerca de 32 km ida e volta, o trajeto é feito de carro.

Serra dos Alves, um Lado B muito à altura do Lado A (Foto de Roneijober Andrade)

Serra dos Alves, um Lado B muito à altura do Lado A (Foto de Roneijober Andrade)

O guia conta que a maioria das cachoeiras está aberta à visitação. Apenas três delas se localizam em propriedades particulares, que cobram taxa de acesso e oferecem alguma estrutura, como restaurante, banheiro e estacionamento – as cachoeiras do Parque Estadual Mata do Limoeiro, Alta e do Patrocínio cobram, respectivamente, R$ 12, R$ 15 e R$ 35.

BOCA DA SERRA

Maior cânion da região, o Boca da Serra tem estrutura semelhante à do cânion das Bandeirinhas, na serra do Cipó.  Ao longo de seus 5 km, é possível deparar-se com piscinas naturais, cachoeiras e paredões acima de 100 m de altura, que podem ser observados da ponte de pedra. Um dos destaques é a cachoeira da Lucy, com 15 m de altura e de difícil acesso.

No caso do Boca da Serra, o acesso pode ser feito tanto pela parte alta, um trajeto considerado penoso, quanto pela parte baixa, que tem grau de dificuldade menor. Para passeios na região, contratar um guia é imprescindível, assim como levar garrafinha de água, usar calçados firmes, vestir roupas confortáveis e se lambuzar de protetor solar.

O passeio ao cânion leva o turista a descobrir uma preciosidade de águas cristalinas, a cachoeira dos Cristais. Após percorrer-se a subida íngreme em direção ao cânion, vem a surpresa. Pequena, com apenas 4 m, a queda deságua em um poço em um tom esverdeado. Essa beleza cênica é exatamente o reflexo produzido pelas rochas e pela vegetação.

O foco de Roneijober são as trilhas. Entre as mais longas está uma caminhada ecológica de 8 km ida e volta pela trilha Córrego do Cocho, que leva às cachoeiras Elvira, Véu de Noiva e Embaúbas, as mais distantes do vilarejo. Ou ainda um trekking ao Campo do Garça, com percurso de 13 km ida e volta, uma região que se enche de flores durante a primavera.

TRAVESSIA

Outra maneira de se chegar a Serra dos Alves é a Travessia Alto Palácio, a primeira trilha aberta pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). São cerca 45 km de caminhada durante dois ou três dias, com entrada pelo Parque Nacional da Serra do Cipó.

O trajeto só é indicado para quem tem bom condicionamento físico e exige planejamento. Algumas agências também oferecem a travessia, com comodidade e estrutura. Aventureiros se arriscam a percorrer o trajeto, que tem como ponto de partida a estátua do Juquinha, um ícone da região.

Do ponto de vista do esforço físico, é uma travessia relativamente simples de ser executada, por conta da ausência de subidas extenuantes. A parada é no acampamento na Casa dos Currais para banho, alimentação e descanso, com direito a céu estrelado e pôr do sol espetacular nas montanhas.

O percurso passa pelo Vale Travessão, um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco e do Peixe, matas, jardins de canela-de-ema e campos de altitude, atingindo 1.660 m, até a descida de Serra dos Alves. A entrada é pelo cânion Boca da Serra, com direito a banho relaxante na cachoeira dos C

SERVIÇO – COMO CHEGAR

De carro: A distância entre BH e Serra dos Alves é 108 km. Pegue a BR–381 e percorra 70 km no sentido Vitória (ES), entre no trevo para Bom Jesus do Amparo e siga a estrada mais 15 km até Ipoema. De lá até Serra dos Alves são mais 16 km de estrada de terra.

QUEM LEVA

Guia: Roneijober Andrade. Contato (31) 98808-9294 (WhatsApp)

Passeios: R$ 20 por passeio. Duram um dia inteiro, e são visitados de três a quatro atrativos da região. Grupos de no máximo 10 pessoas.

Onde hospedar-se:

Pousada Ipoema: Diária de R$ 150 durante a semana e pacote de sexta a domingo ou de segunda a sexta, R$ 340. Valores para duas pessoas, com café da manhã. Reservas: (31) 98808-9294 ou roneijober@gmail.com

ONDE COMER

Buteco da Vila. butecodavilaserradosalves.com.br

Casa de Cultura. casadeculturaserradosalves.com.br

Cantinho da Serra. Com agendamento: (31) 99538-5355 ou (31) 98560-4518 (WhatsApp). cantinho-da-serra.negocio.site

Serra dos Alves

Buteco da Vila: Especialidade: comida típica brasileira, como frango caipira e filé à parmegiana. Funciona aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h. butecodavilaserradosalves.com.br

Casa de Cultura: Chope artesanal, pizza, pastel de angu, batata recheada, lanches e brigadeiro, entre outros. Funciona nos finais de semana e feriados, das 8h às 22h. casadeculturaserradosalves.com.br

Cantinho da Serra: Especializada em cozinha da roça feita no fogão a lenha. Próximo à cachoeira dos Marques. Funcionamento com agendamento prévio: (31) 99538-5355 ou (31) 98560-4518 (WhatsApp). cantinho-da-serra.negocio.site

Ipoema

Fazendinha: Ambiente rural e aconchegante. Comida mineira, peixes, moqueca e camarão. Especialidade é a traíra sem espinha. facebook/fazendinha e instagram/fazendinha

Pizzaria Parada da Tropa: Especialidade: pizza e massas frescas. Praça Augusto Guerra, 47.

Restaurante Pesque-Pague do Bigode: Sítio Moura – rodovia Arcy Lage, KM 13. Especialidade: comida típica mineira. Funciona aos sábados e domingos, das 9h às 17h. pesqueepaguedobigode.negocio.site

Mais informações, acesse serradosalves.org

JORNAL “O TEMPO”

Por PAULO CAMPOS | PAULO.CAMPOS@OTEMPO.COM.BR

ITABIRA ESTAVA VIRANDO UM FERRO-VELHO, DEPÓSITO DE VEÍCULOS ABANDONADOS

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