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Num momento de relaxe, depois do almoço no Restaurante da Assembleia onde encontramos também deputados estaduais. Depois de muito relatar a situação itabirana, eis que um dos parlamentares fez um verdadeiro ataque sobre nós: “Vocês estão fazendo política na contramão da estratégia já em voga”.

Olhos arregalados, orgulhosos de nossos esforços e total dedicação, recebemos uma aula de estratégia política bem no tempo em que os marqueteiros eram conhecidos apenas como “coordenadores” ou “chefes de tribos”, como verdadeiros caciques. Aí, o representante de Itabira (assim chamado porque era o parlamentar federal mais votado nas últimas eleições) revelou sua tática inarredável de  trabalho.

“O negócio funciona assim: no início de mandatos, vocês devem trabalhar mais internamente, ou seja, executar funções preparatórias e costurar alianças. Aprendam essa tarefa. Ajustes seus contatos, reescrevam as reivindicações e reestruturem suas agendas na base da maré-mansa, ou do tempero aguardando a galinha ser cozinhada. Guardem fôlego para os dois últimos anos próximos das  eleições e aumentem seus esforços paulatinamente até a fase de entrada oficial do período eleitoral. Aí terão fôlego para levarem as suas ações rumo ao sucesso. E lembrem-se de que o eleitor esquece o benefício que lhe foi feito longe das urnas”.

Mudo os rumos deste texto e estou no túnel do Mineirão, acompanhando o Valeriodoce no campeonato mineiro de 1976. Trabalho na Assessoria de Comunicação da antiga Vale do Rio Doce e sempre participo das ações do clube itabirano, que era mantido pela mineradora. Mas isso nada tem a ver com o que vou narrar.

Assentado ao lado do treinador que era Percy Gonçalves, vi uma aula de futebol aplicada pelo Cruzeiro Esporte Clube. O time do VEC atacou e conseguiu dominar o jogo até os dez minutos do segundo tempo. Enfiou dois gols, vencia por 2 x 0, quando o time celeste, com Raul, Zé Carlos, Piazza e outros craques, dirigido por Zezé Moreira, saiu da teoria e entrou na prática, virando o placar. Nosso time itabirano perdeu de 3 x 2.

Por que perdeu? Resposta: gastou seu gás no primeiro tempo, enquanto o adversário, superior técnica e fisicamente, ainda impôs uma tática mortal de “encher linguiça”. Reservou todo o seu fôlego para vencer um time já com a “língua pra fora”.

Aí estão as duas questões que podem ilustrar o que fazem os políticos e as equipes de futebol. Tudo parecido e fácil de entender. No contexto geral, vamos concluir que o povo é bobo, assim como o time de futebol mal orientado. Não quer dizer que Percy Gonçalves tenha errado naquela noite fatal, mas, sim, que não tinha peças bem treinadas fisicamente para aguentar o aperto final.

Tenho exemplos de eleições municipais itabiranas que se tornaram históricas. As regras não mudaram ou tiveram apenas algumas adaptações. Observação final: não estou dando sugestões aos prefeitos da região, quanto menos ao de Itabira. A nossa cidade é um caso “sui generis” e merece mais cuidados porque ainda não encontrou a sua segunda vocação econômica. E continua estraçalhada nos bairros. Não pode mais crescer enquanto o principal não vem. Somos uma cidade de coalas e não precisamos de água para viver.

José Sana

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

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