Notícia Seca prefeitura
HUMOR DOCUMENTÁRIO CRÔNICAS CULTURA GERAL JORNAL DE PREÇOS VÍDEOS MEIO AMBIENTE CIDADES ECONOMIA EDUCAÇÃO SAÚDE
Boa tarde - Itabira, sábado, 14 de dezembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

GERAL  
PARA UMA CLARISSA FRANCISCANA MUITO ESPECIAL
Singela homenagem por 95 ou seria a metade? 29/06/2019

 

Em 1212, a jovem Clara de Assis, que seguiu o exemplo de São Francisco de Assis, e viveu, dentro da clausura e na contemplação o ideal de pobreza evangélica, fez surgir a  chamada Ordem das Clarissas, ou Segunda Ordem Franciscana. Algum tempo depois foi criada a  Congregação das Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento, fundada por Madre Serafina de Jesus. A Ordem e as congregações criadas muito depressa se estenderam  por toda a Europa e somam  hoje  cerca de 1.500 mosteiros em todos os continentes. Neste momento, a Ordem conta com aproximadamente 20 mil clarissas em mais de 70 países.

 

Em 27 de junho  de 1924 do ano de nascimento de  Nosso Senhor Jesus Cristo, nasceu, em São Sebastião do Rio Preto, Estado de Minas Gerais, Brasil, uma menina robusta, filha de Godofredo Cândido D’Almeida e Maria da Natividade Ferreira de Almeida. Ela fazia parte de uma turma assim selecionada a partir do topo de idades: Maria Jacinta, Zezé, Tãozinho, Luzia, ela, Godofredo e Domingos. O último desta lista continua exercendo os seus deveres, ao lado dela; os demais, depois de cumprirem aos olhos de Deus as suas missões,  foram chamados à glória lá de cima.

 

Ela, a quinta da fila mencionada, e com outros nove irmãos que ficaram desconhecidos de nossa geração, totalizando 16 da prole de Seu Godó e Dona Sinhá,  estudou no Colégio São Joaquim, em Conceição do Mato Dentro, formou-se professora e lecionou na terra natal. No passo seguinte, ingressou, em 1949, na Congregação que continua a acolhendo com carinho.

 

Trabalhando, paralelamente, como professora durante 30 anos, ela morou em conventos da Congregação instalados em Belo Horizonte (Caiçara e Calafate), Itaúna,  Brasília, Salinas, Betim, Teófilo Otoni, Rio de Janeiro (São Fidélis), Bahia (Piraí do Norte) e Itambacuri, onde se encontra há alternados e muitos anos e aí é amada no real sentido da palavra mais pura e simples.

 

Pronto. Falei tudo. Só falta o nome dela. E vou falar: Irmã Miriam de Almeida. Peguem a calculadora e exercitem os números: somou 95 anos de idade bem vividos.  Contudo, ela fez uma correção: apresentou uma foto de 1973, quando sua idade seria um número de  junhos vividos um pouco abaixo. Disse, durante a  missa celebrada pelo Frei Arineu, que se sentia assim, ou seja, uma quarentona muito cheia de vida.

 

Estivemos em Itambacuri neste 27 passado: Marlete, Anna Paula e eu. Outros amigos e, principalmente, sobrinhos e o irmão Domingos que telefonou, compareceram espiritualmente. Alguém deve estar curioso, desejando saber se houve uma festa, como foi  e quem compareceu. Esclareço: depois da “missa personalizada” (denominação que criei porque foi a mais notável que assisti nesta vida), a turma da Catequese de Itambacuri preparou o “Arraiá de Irmã Miriam”. Danças, quadrilha, canjica grossa, quentão (não me deram), caldos — tudo isso fez parte da comemoração dos 95, ou melhor, 46 anos de minha querida tia, irmã de meu pai, Tãozinho do Godó.

 

Quem viu a manifestação espontânea de alunos, ex-alunos, padres capuchinhos (Arineu Paulo e Júlio César) e de outros amigos — acrescentem-se as irmãs e funcionárias Camila, Francisca, Josefa, Pena, Regina, Lúcia, Maria e Tecla —  pode não saber o quanto o povo de Itambacuri ama a minha tia.  Há algum tempo — anotado desde 2001 — tenho ido visitá-la e, sem querer, senti a característica de sua vida na pequena cidade: ela sai caminhando pelas ruas da cidade de 23 mil habitantes e é interrompida passo a passo, esquina a esquina, para receber a tal  carona de motoristas de táxis a carros oficiais e também os particulares. Não é nada, mas é o carinho e o reconhecimento  tem e merece carregar como  demonstração de sua humildade herdada dos Cândido, Ferreira e Almeida.

 

Sem querer elevá-la à condição de cidadã popular, encerro esta informando a quem não a conhece, que minha tia é uma cara  fechada,  meio sisuda, ri muito pouco (quando abre a boca  abala o céu e treme a terra), e demora a soltar os seus sentimentos. Mas, mandando sinais deste semblante que parece o símbolo da preocupação mundial — e não é porque ela é tranquila na graça de Deus — existe um coração que todos enxergam sem esforço algum, puro e limpo.

 

Para concluir, quero deixar registrada uma homenagem de todos os seus 33 sobrinhos, cinco que partiram prematuramente, e dizer que todos  reconhecemos a sua importância na família e na sociedade: trouxe esperança na fé inquebrantável que jorra de seu coração aberto. Esse transpira paz  e amor nos 70 anos de vida cem por cento religiosa, dedicada, bem cumprida e fiel a Deus. E que segue.

Abraço, Tia querida!

José Sana

29/06/2019

 

P.S.: Agradecimentos especiais à prima ANNA PAULA VITOR pela colaboração no levantamento da história de vida de Ir. Miriam. 

 


 

 

graficavipitabira
 
INFORMAÇÃO DE QUALIDADE! E-mail: contato@noticiaseca.com.br
Notícia Seca 2019. Todos os Direitos Reservados.

Desenvolvedor: SITE OURO