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Boa madrugada - Itabira, segunda, 21 de setembro de 2020   NOTÍCIA SECA CONTATO

GERAL  
OTÁVIO CÂNDIDO FERREIRA:
Em paz e com Deus 31/07/2020

 

De Passabém para Itabira, eis um nome que aqui fincou na terra drummondiana a sua segunda raiz e fez grandes amizades: Otávio Cândido Ferreira. Não poderia falar muito dele porque ainda não cheguei aos  90. Mas o conheci desde criança, dirigindo um jipe na Vila de São José do Passabém. Sim, desde a partir da terra quase gêmea do meu arraial, São Sebastião do Rio Preto.

 

Havia uma rivalidade só explicada porque no Brasil é tudo é assim.  Passabém e  São Sebastião brigavam como cão com gato, ou melhor, Cabrito com Gambá. Naqueles tempos idos, o pau quebrava quando alguém ousasse gritar Cabrito em Passabém ou Gambá em São Sebastião. Pois sei que certa vez quase houve uma guerra meio parecida com as que se travam no Oriente Médio. Morro do Veado era a Faixa de Gaza.

 

Mas me lembro que Otávio nada ligava para essas turbulências e as considerava brincadeiras. O pai dele, sim, Joaquim Cândido, patriota da cabeça aos pés, defendia a sua terra com dentes e unhas. Alguém comprava um carro em Passabém — jipe, caminhão, caminhonete ou qualquer outro automóvel — e ele comemorava com a seguinte frase: “Mais um carro aqui pra nós!” E ficava de olho se a vizinha Vila do Gambá conseguia pelo menos empatar com a cabritada em número de rodas e diferenciais.

 

Nem os filhos Zenon, Antônio e João Zito, seguiram a tradição ufanista de Joaquim Cândido, assim como as rivalidades são-sebastianenes  ficaram esquecidas no tempo de meus avós. Hoje conheço passabenenses e são-sebastianenses que gostam de ser chamados de “Gambritos”, mistura de um com o outro.

 

Mas estou me referindo a um amigo que faleceu nesta terça-feira, dia 88 de julho, em Itabira. Refiro-me ao fazendeiro e  comerciante, chamado Otávio Cândido Ferreira. Ele foi prefeito de sua terra e militou muitos anos na política. Pertencia a uma ala que, incrivelmente, como a adversária, lutava lado a lado pelo torrão natal.

 

Para dividir o amor com a humanidade, formou-se o casal Cecília-Otávio. Chegaram os filhos, um atrás do outro — Edilene, Edna, Ednaldo e Edelze e netos — todos de uma beleza indescritível, a exemplo da esposa e mãe. Lembrando, recentemente, numa visita que fizemos ao casal, na hora do delicioso café, me chamou a atenção um fato que traduzi com as seguinte palavras: “Conheço você desde o casamento e fico imaginando, como consegue manter a beleza, hein, Cecília?” Aparentemente desligado de nossas conversas, de costas, Otávio foi de uma presença de espírito eletrizante ao dizer a mim: “Obrigado!” (risos, risos, risos).

 

Agora estamos no hoje. Otávio partiu. A vida escalou o ser humano para nascer e morrer. Quem nos nomeou para fazer a parte do meio, o viver, somos nós mesmos. Otávio viveu, trabalhou, politicou, criou a família, deu mil exemplos de afetividade, doou e emprestou simpatia e bondade a todos. Sempre feliz, teve um contratempo terrível com a perda de um filho, prematuramente, mas os amigos e Deus os confortaram em tempo.

 

Esteja em paz, Otávio! Não pode é esquecer de pedir a Deus pela legião de seres que o amam. A ausência converte-se em esperança. No contexto final, a vitória é do bem.

 

José Sana

Em 30/07/2020

 


 

 

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