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Boa madrugada - Itabira, segunda, 21 de setembro de 2020   NOTÍCIA SECA CONTATO

CIDADES  
IDEIAS E SONHOS DE MARCO ANTÔNIO LAGE:
O que pensava há 13 anos o pré-candidato a prefeito de Itabira 16/07/2020

 

Em entrevista concedida, há 13 anos, à revista DeFato, Marco Antônio Lage mostrou projetos que talvez sejam os mesmos de hoje, talvez venham a receber modificações, mas que de qualquer maneira possam servir para Itabira diante de seu futuro incerto e breve  como em tempo algum se apresentou.

A terra de Drummond, sem a extração do minério de ferro, como sobreviverá? Esta é a grande incógnita que assalta as preocupações do povo itabirano.  E ninguém, pelo menos na prática, mostrou quais os caminhos a serem percorridos.

Não há tempo a perder, aliás, já se escoaram 78 anos, houve tentativas, criaram-se receitas estratosféricas, mas essas não foram efetivamente aplicadas com vistas ao porvir.

O jornalista, escritor, empresário e CEO, nascido  no distrito de Ipoema, pode ser confirmado, nas convenções do PSB, candidato a prefeito de Itabira para o quatriênio 2021-2024. As eleições de 15 de novembro terão uma escolha do povo de seu novo dirigente. O fato eleitoral se realizará na antevéspera do fim da mineração do ferro, sustentáculo de Itabira e responsável pelo crescimento demográfico do município desde os anos 1940.

O diálogo com o repórter e editor, José Sana, em 14 de agosto de 2007, matéria publicada na edição número 177, do mês seguinte, páginas 10, 11 e 12, pode entrar para novas discussões e abrir esse campo necessário à opção do eleitorado.

Vamos aguardar, depois desta revelação, na busca do baú do tempo, como estão as ideias de Marco Antônio.

 
 
ESCUDEIRO DE ITABIRA
 
 
Uma carreira meteórica faz do diretor da Fiat aliado de Itabira, com uma diferença entre tantas pessoas e até políticos: ele age sempre no anonimato
 
O itabirano-ipoemense Marco Antônio Lage é mais um que nega, na prática, a autenticidade do adágio popular “santo de casa não faz milagre”. Seus milagres são feitos à moda do que se imagina para os santos: no anonimato. Quem sabe em Itabira, a não ser a direção da Associação Comercial na época, que ele foi um dos principais trunfos para que se instalasse na cidade a Escola Técnica Gerencial do Sebrae (ETFG)? E sua contribuição para que a Fiat reformasse a Casa de Drummond, inspirada na influência dos Drummonzinhos?
 
Para ter condições de ajudar a sua terra, Marco Antônio viveu  uma carreira brilhante e meteórica: alfabetizado em Ipoema, estudou no Major Lage e na Eemza, em Itabira; no Promove e na PUC-Minas-BH, onde iniciou e concluiu o curso de Jornalismo; sua profissão foi costurada a partir de cargo na extinta MinasCaixa, PUC e imprensa da capital (jornais Hoje em Dia, Estado de Minas e Diário da Tarde), além de corresponde da revista Visão. Mas o pulo do gato se deu no Sebrae, onde juntou a vocação jornalística às habilidades em economia para ganhar experiência e tornar-se o escolhido entre seis candidatos a assessor de imprensa da Fiat. Aí, foi rápido demais o tempo: de coordenador de Comunicação Social a gerente e, finalmente ao cargo de diretor da área de Comunicação Corporativa da América Latina, sua função atual, somando agora 15 anos de trabalho na empresa.
 
Então, se conclui: de balconista de farmácia em Itabira dos 12 aos 15 anos e de auxiliar de serviços gerais num hotel, também em Itabira, ele chegou ao topo.
Em 14 de agosto (2007), Marco Antônio Lage recebeu DeFato  no Hotel-Fazenda Boitempo, a sua arrancada como empresário rural na região. Aos 43 anos (hoje 56), casado, dois filhos, o filho do conhecido fazendeiro Harcy Lage e Eunice Figueiredo Lage, mantém a simplicidade e a inteligência transparentes.
 
DeFato — Como define a sua trajetória até aqui: teve de lutar muito ou as coisas vieram fáceis?
Marco Antônio — Toda experiência profissional bem-sucedida é fruto de muito trabalho, dedicação e seriedade. Estou me lembrando de uma entrevista de Oscar Schmidt, ex-jogador de basquete, em que ele disse ter treinado a vida toda para ser o melhor jogador de basquete do mundo e que não conseguiu ser o melhor jogador do mundo, mas o treinamento serviu para torna-lo o maior cestinha do Brasil. Então, é um pouco isso. A Fiat tem a melhor área de comunicação de todas as montadoras do Brasil. Portanto, trabalhamos para ser os melhores, se conseguirmos a metade já será o resultado desse trabalho.
 
DeFato — Você nunca teve um padrinho?
Marco Antônio — Não. Tudo o que consegui foi por meio de meu esforço. Meu pai, por não ter influência nenhuma nessa área, se opunha à minha escolha por Comunicação. Por ele eu teria feito Medicina ou Engenharia, principalmente porque, segundo ele seria mais fácil conseguir um emprego, já que temos aqui a Companhia Vale do Rio Doce.
 
DeFato — Viajando pelo mundo, você tem a oportunidade de conhecer projetos inovadores nas áreas econômica, cultural e de turismo. O que mais lhe chama a atenção que possa ser reproduzido no Brasil?
Marco Antônio — Quando pensamos em Itabira e em toda a sua região sobressaem dois aspectos. Um seria mais governamental, que depende da vontade política e do setor público. O outro seria mais cultural e depende dos moradores  que têm de se unir em torno de um só projeto. Sempre tivemos interesse por Itabira. Contribuímos com a Escola do Sebrae, na Fiat reformamos a Casa de Drummond e agora, como pessoa física, construímos este empreendimento hotel-fazenda, que concorre para ativar o turismo. Do ponto de vista público, tenho tido muito contato com o Jaime Lerner e lhe fiz um convite para vir a Itabira e ele aceitou. Sem compromisso profissional, somente para contribuir com ideias, para que Itabira possa criar projetos ambientais e turísticos que ajudem a reverter uma fonte de renda importante para a cidade.
 
DeFato — Você trabalhou com ele?
Marco Antônio — Não. Estou trabalhando num projeto de comunicação junto a universidades. Hoje as cidades têm que fazer parcerias com as universidades, as escolas. A convivência que estou tendo com Jaime Lerner me dá a certeza de que ele poderá dar uma grande contribuição a Itabira, porque é um estudioso, um pensador que pôs a mão na massa. Ele foi prefeito por três vezes em Curitiba/PR e criou um modelo de cidade que é exemplo para o mundo.
 
DeFato — O fato de sua origem ser da roça influenciou na decisão de investir na área de turismo rural?
Marco Antônio — É claro que a questão do berço, de ter vivido em fazenda e a origem rural de minha família me levaram a trabalhar pelo turismo rural em Ipoema, aproveitando todo o ambiente favorável do Museu do Tropeiro e da Estrada Real. Quando se tem esse ambiente, a Prefeitura e a comunidade têm de se mobilizar a favor dessa onda, porque são ondas que passam. A Prefeitura, a comunidade e as lideranças políticas e empresariais podem tirar proveito por muitos anos ou então se desvirar por caminhos negativos. É claro que se eu não tivesse vínculo com Itabira, com Ipoema, talvez estivesse investindo na Bolsa de Valores. Seria mais cômodo e talvez menos complicado.
 
DeFato — Boitempo é o início ou você já estava investindo na zona rural, na área de hotel-fazenda?
Marco Antônio — Boitempo é o início. O futuro vai depender, como disse anteriormente, da mobilização da comunidade, das lideranças políticas e empresariais em torno de um projeto comum, bem elaborado e de longo prazo. Essa onda vai agregar e trazer novos empreendimentos, não tenha dúvida. Não só o Marco Antônio como jornalista e empresário, mas outros investidores vão aparecer, sejam filhos da cidade ou não. Nós temos fazenda em Santo Antônio do Rio Abaixo e se a onda continuar, pretendemos investir por lá também. Existe um potencial turístico em nossa região — Itabira, Santo Antônio do Rio Abaixo, Itambé do Mato Dentro, São Sebastião do Rio Preto, Passabém, Senhora do Carmo, Ipoema, Ferros — muito grande.
 
DeFato — Para o turismo de nossa região a primeira barreira é a BR-381?
Marco Antônio — Para o crescimento do turismo, acesso é fundamental. Num plano de um a dez para o desenvolvimento do turismo aqui, estamos no 0,5. Isso quer dizer que temos 9,5 para trabalharmos ainda, ou seja, temos quase tudo por fazer. O Governo do Estado desenvolveu com a Fiemg e com o Instituto Estrada Real a grande ideia da Estrada Real, que é uma iniciativa brilhante e importante para alavancar o turismo em todo o percurso. De Itabira as respostas vieram. A cidade tem investido, mas precisa trabalhar mais os aspectos culturais de Carlos Drummond de Andrade, com ética e clareza, inclusive junto à família de Drummond, a estudiosos e a universidades, envolvendo o estudante  num desses projetos. O trabalho com universidades contribui muito para o desenvolvimento dessas ideias.
 
DeFato — Em Ipoema, por exemplo, o Museu do Tropeiro foi uma arrancada para o turismo na região...
Marco Antônio — Ipoema deu a melhor resposta que o Instituto Estrada Real e o Governo do Estado tiveram de uma comunidade, de uma prefeitura com relação ao Projeto Estrada Real. O prefeito João Izael fez questão de melhorar as estradas, facilitando o acesso do turismo na região. Agora, acredita-se que o governador Aécio Neves deverá contribuir, viabilizando o calçamento poliédrico de Bom Jesus do Amparo a Ipoema.
 
DeFato — As estradas estão cheias e péssimas. O que se deve fazer agora?
Marco Antônio — Faço a comunicação da Fiat para toda a América Latina. E comunicação, no conceito mais novo, mais amplo da palavra, é você se relacionar bem. Eu promovo o bom relacionamento da empresa com todos os públicos, o que chamamos de stakeholders, por meio da imprensa, com os funcionários — 24 mil pessoas trabalham no Brasil e no grupo Fiat são 35 mil — com os fornecedores, com concessionários e com a sociedade. Hoje a empresa não visa apenas ao lucro. Quando convido, em nome da Fiat, o Jaime Lerner, que é um arquiteto reconhecido no mundo inteiro, a ir nas redações dos principais veículos de comunicação para discutir o futuro das cidades, estamos discutindo também a mobilidade. O automóvel que fabricamos e terá emprego, impostos e lucro é um instrumento de mobilidade. Se o tráfego for tão intenso no futuro, que impossibilite o automóvel de trafegar, o grande objetivo da indústria automobilística cairá por terra. Hoje passamos a discutir o o transporte coletivo público. Essa é uma discussão essencial. O governo tem de investir os quase 40% de impostos que o cidadão paga, quando compra um carro zero quilômetro, em infraestrutura urbana, boas estradas e em transporte coletivo. A cada três carros que a Fiat vende um vai para o estado. O dinheiro dos impostos arrecadados das indústrias automobilísticas tem de ser usado para garantir ao cidadão a sua mobilidade com um transporte público decente. Com isso, mesmo tendo o meu carro, não vou precisar ir trabalhar com ele e somente usá-lo para o laser nos fins de semana. Os Estados Unidos têm um nível de motorização de 1,5 habitantes por automóvel. Isso quer dizer que quase todos têm carro. E eles conseguem com investimento em infraestrutura urbana resolver o problema do tráfego. Na Europa, são 2,5 por carro. No Brasil são 8,5 habitantes por carro. Portanto, o índice de motorização dos países desenvolvidos é muito maior que o do Brasil e têm problemas de tráfego muito menores.
 
DeFato — Como a Fiat tem ajudado a sociedade com que convive?
Marco Antônio — Fazemos um trabalho social por meio de um programa de educação no trânsito nas escolas de todo o país, que vai do Ensino Fundamental ao Médio. Este é um projeto muito bom que abrange todas as capitais do Brasil. Em 2008, quero expandir para o interior e atender Itabira. Transversalmente, você entra nas matérias curriculares com conceitos de educação no trânsito e isso fica na cabeça da criança e do adolescente. E ainda temos o projeto de inclusão social que vai ser modelo para todo o Brasil. Adotamos o bairro mais violento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que é o Jardim Teresópolis, localizado em frente à fábrica da Fiat em Betim. Quando iniciamos havia 280 homicídios/ano. As estatísticas apontam que este ano o índice vai cair quase pela metade.
 
DeFato — Como é a atuação de vocês nesse programa?
Marco Antônio — Temos parcerias com ONGs, universidades, Prefeitura de Betim e 14 empresas. Adotamos o bairro e estamos fazendo uma grande transformação social no local. São três mil pessoas assistidas hoje no Jardim Teresópolis, principalmente crianças e adolescentes. As intervenções são feitas com educação, por meio do transporte, da dança, da arte e da música. O programa existe há três anos e em 2010 será autossustentável.
 
DeFato — Como você enxerga a economia de Itabira?
Marco Antônio — Vejo com alguma preocupação a história do planejamento. Isto é o que falta, uma visão desenvolvimentista. Os grandes parceiros desse projeto seriam os próprios veículos de comunicação já existentes na cidade, não precisando inventar nada. Que eles possam atuar como embaixadores na informação e educação do itabirano com relação a esse projeto. E que ele comece agora e tenha princípio, meio e uma missão. A cidade precisa ser pensada a curto, médio e longo prazo, de maneira que a comunidade saiba de que necessita, quais são os caminhos a seguir. Na época de ser escolhido o prefeito, o timoneiro dessa caminhada, a população tem de ficar atenta para ver se ele e o grupo que compõe têm compromisso com aquele projeto, porque política é feita de grupos. Não só as lideranças políticas devem se envolver, mas também a comunidade e as lideranças empresariais, leia-se Companhia Vale do Rio Doce, que pode ser naturalmente a grande parceira de Itabira para o futuro. Para isso depende de um ótimo relacionamento que a comunidade e as lideranças têm de ter com a Vale. A empresa não pode ser apedrejada  como ocorre às vezes. Até por questões políticas escolhem a Vale para apedrejar. Qual a solução que isso traz? A solução está na parceria  e não numa guerra. Uma grande empresa, organizada, multinacional e internacional como a Vale e, hoje, totalmente profissionalizada, só pode ter interesses positivos, projetos de benefícios para a comunidade. Eu não tenho dúvida disso. O acionista da empresa quer ver o seu dinheiro bem aplicado e hoje o conceito novo de empresa que, inclusive, trabalho na Fiat, é este. Você tem de estabelecer o real valor de seu investimento. (JS).

 

 

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