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Boa madrugada - Itabira, terça, 16 de julho de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

CRÔNICAS  
ESCREVENDO PARA O FUTURO (Carta aberta a Itabira)
* José Sana 18/12/2018

 
Hoje, ou melhor, agora, vou escrever, mais declaradamente para o futuro. Faz tempo, desde quando deixei a imprensa oficialmente, em 2012, ou, em palavras mais claras, pendurei as chuteiras na Revista DeFato, tenho afirmado que não desejo, não quero, não busco leitores. Quanto menos seguidores. 
 
Durante 55 anos de imprensa — comecei no Diário de Minas, em Belo Horizonte, em 1963 — podia ser considerado foca, repórter, jornalista, editor — mas agora sou apenas um cidadão de minhas terras(são duas as minhas pátrias: a que testemunhou meu nascimento e a que escolhi para viver). 
 
Cheguei a Itabira e comecei a trabalhar na Companhia do Rio Doce em 28 de maio de 1966. Em Itabira, exerci o mandato de vereador, de 1973 a 1982, ou seja, durante dez anos. Fui candidato a deputado estadual (1982) e a deputado federal (1988). Em ambas as eleições obtive votações consideradas razoáveis. Basta dizer que para deputado estadual obtive 15 mil sufrágios, quando o município tinha 45 mil eleitores. Quer dizer que um terço da cidade me aceitou como representante. Depois disso, após prestar serviços voluntários à imprensa itabirana e regional, durante 20 anos editei a revista DeFato e o site DeFato Online (este em parceria com meu filho, Júnior), cuja filosofia pode ser resumida nestes termos: em busca de ideias e soluções para os problemas itabiranos e regionais. No momento, edito o site Notícia Seca (www.noticiaseca.com.br), sem compromisso com anunciantes, ou quem quer que seja. Repito: escrevo para o futuro. Aí poderão aproveitar ou jogr fora, dependendo da avaliação feita. Sob julgamento, portanto.
 
Rabisquei estas linhas até agora apenas para exibir uma espécie de credencial para o que vem a seguir, o que escrevo para o momento e, principalmente, para o futuro. Então, vamos ao futuro, de olho no presente e também no passado.
 
No momento, o prefeito Ronaldo Lage Magalhães, com certeza ajudado por 17 vereadores e dezenas de assessores, administra a situação mais grave da história de Itabira. A afirmativa pode ser confirmada por quem está a par da situação econômico-financeira de Itabira que está, como nunca, comprometida com o futuro. Trata-se, portanto,  de um momento delicadíssimo, que exige cautela. E muita...
 
A história não tem erros, pode ser checada em registros incontestáveis. No início do século, os ingleses, de posse de informações trazidas de fontes seguras, aqui chegaram e compraram terrenos. Em seu poema “Itabira”, Drummond  registrou: “...
 
“... Os meninos seguem para a escola.
Os homens olham para o chão.
Os ingleses compram a mina...” 
 
Foi a maior manta da história de nossa cidade o que fizeram os ingleses com a nossa inocente gente da época. Não fosse o nacionalismo exacerbado de Getúlio Vargas até hoje estaríamos nas barbas e  no domínio completo da Itabira Iron Stell Co.
 
Outros problemas vieram. A fraca  legislação minerária deu sérios prejuízos à cidade. Basta apenas resumir em um capítulo a seguinte informação: criada em 1942, somente em 1967 Itabira começou a receber impostos da  mineradora. Em seguida, passou a captar migalhas do Imposto Único sobre Minerais (IUM), contestado por nós em 1978. Naquele ano, tive a felicidade de promover, como presidente da Câmara Municipal, o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras, quando foi discutido um projeto do itabirano, então secretário do Planejamento de Minas Gerais, Paulo Camillo de Oliveira Penna, denominado Fundo de Exaustão de Recursos Minerais. Até 1988, quando foi promulgada a atual Constituição Brasileira, deputados e senadores batalharam pela aprovação da proposta. Na nova Carta Magna foi criado o royalty, também referendado na década de 1980, com a realização do I Encontro Nacional de Cidades Mineradoras, presidido pelo então prefeito José Maurício Silva.
 
Agora a questão não é simplesmente a mineração. Sequer a exaustão. Apenas o mercado. Vejam que paradoxo: Itabira, no seu grande ardor e até mesmo orgulho de puxar a economia  brasileira com a mineração de ferro, financiou Carajás, hoje o mercado que a empresa privatizada mira, com olhos voltados para o  lucro. O presidente da empresa, engenheiro de produção Fabio Schvartsman, decretou a falência do Sistema Sul da empresa com antecipação de uma década apenas. 
 
Há  tentativas de prolongamento da exploração mineral em Itabira  e  região. Há contestações até dentro da empresa sobre a  pressa em dar baixa à mineração na terra de Drummond. Mas, como se pode conferir, o momento é delicado porque até agora, em toda a história, incluindo os esforços de vários prefeitos, a diversificação econômica não  se concretizou. O município itabirano depende praticamente de  90% da atividade mineradora, não consegue fugir de tal realidade tão cedo e só tem dez anos para levar adiante a empreitada que não conseguiu executar em mais de 76 meses de junho da presença da empresa Vale.
 
Agora, vamos ao que interessa objetivamente.  O prefeito atual, Ronaldo Lage Magalhães, sua vice-prefeita, Dalma Helena Barcelos, o presidente da Câmara Municipal, vereador Neidson de Freitas, e mais 16 outros parlamentares, além de assessores municipais, consultores, sob a liderança do executivo municipal, estão negociando o futuro de  Itabira. Uma comitiva esteve na China e trouxe propostas, algumas comentadas em rodas sociais e tem encontro nesta data, hoje, 18 de dezembro, com represntantes da Vale. Notadamente, amanhã, 19 de dezembro, Ronaldo Magalhães terá encontro com a imprensa de Itabira e fará um relato de sua visão do momento.
 
A visão dele —  pessimista, otimista ou  realista —  não estaria, nos meus cáculos na pauta deste  momento. Há discordâncias até dentro da empresa Vale, sobre até mesmo a realidade do mercado, extremamente instável, já provou esta verdade. As perguntas a seguir precisam de respostas claras e insofismáveis:
 
— Será que os chineses farão como os ingleses, comprarão a mina por preço de banana? E o itabirano continuará olhando para o chão?
— A empresa Vale saberá avaliar o passivo ambiental que criou dentro das vastas áreas mineradas em Itabira?
 
— A Prefeitura tem especialistas, técnicos, políticos e todos com visão empreendedora para ajudar a enxergar de que forma seriam tapados os buracos escancarados em 76 anos de exploração minerária?
 
— Os esforços de todos os políticos desde tempos imemoriais pela diversificação da economia trouxeram ou não pelo menos lições para serem seguidas agora?
 
— Uma administração municipal, de quatro ou dois anos, tem a credencial justa e certa para negociar o futuro de todas as gerações que virão?
 
Jamais teremos respostas a estas e a outras questões. Então, vou concluir o raciocínio que deve ser de todos:
 
Se me chamasse  Ronaldo Lage Magalhães, ou Dalma Helena, ou Neidson de Freitas, ou Heraldo Noronha, ou Papa Francisco, ou Dalai Lama, ou Donald Trump, ou Zé Mané, ou Maria de Oliveira, sabe o quem mais, eis o que faria: escolheria, por meio de um método eficiente, de envolvimento comunitário da cidade, e entregaria, sob minha responsabilidade, a solução para ser dada em nome de 120 mil itabiranos, ou mais, filhos da cidade ou nela moradores, incluindo muitos que se foram e deixaram as suas ideias. E haveria até casos que exigiriam um plebiscito, quem sabe!
 
Conclusão: seria muita presunção de minha parte subir no trono de dono absoluto da situação, e imaginar que, sozinho, deveria  pagar eternamente por um lapso qualquer — e errar sempre foi e será humano — ou receber a láurea da vitória, igualmente solitário, como se fosse um herói que jamais existiu.
 
Era somente o que tinha a escrever ou rabiscar agora, esperando que o futuro seja promissor porque, mesmo sendo delicado este  momento, a oportunidade de êxito se constitui como a melhor de nossa história. 
 
Então, reforço a necessidade da participação total de todos os itabiranos.
 
Fotos: Divulgação
 
* José Sana é editor do site Notícia Seca
 
Em 18/12/2018
 

 

 

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