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Boa madrugada - Itabira, terça, 16 de julho de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

CRÔNICAS  
PERSONAGEM INESQUECÍVEL
A colegial que parava uma cidade 22/06/2019

 

Já me referi  há poucos dias sobre uma pessoa, mulher, filha, esposa, mãe, professora, que se chamava Vâni. Sim, Vâni casou-se com seu primo Lúcio, ambos da estirpe dos Rodrigues de Moura, vindos de São Sebastião, minha terra natal. Ela também dos Carvalho de Ferros, ainda vamos chegar lá. O que escrevi sobre Vâni não foi apenas referente ao seu falecimento ocorrido no mês passado, em Sarleinsbach, na Áustria. Os escritos tiveram como objetivo prestar uma homenagem à mulher aguerrida, líder  da família, exemplar ser humano e educadora inigualável.

Duas notinhas para lembrete: Marlete e eu fomos pajem dos noivos (quem diria que os pajem se casariam 12 nos depois?) na cerimônia do enlace matrimonial ocorrido em 26 de outubro de 1958, na Matriz de São Miguel Y Almas.  O noivo, Lúcio Rodrigues de Moura; a outra notinha: Vâni, de uma beleza indescritível. Sua concorrente era minha colega de sala, Mercedes de tal (não me recordo o sobrenome), e em Minas Gerais, Stael Abelha, eleita Miss Brasil na mesma época, por quem multidões dobravam esquinas, avenidas e ruas em Belo Horizonte, em desfile em carro dos Corpo de Bombeiros.

Este é apenas um capítulo vivido em Guanhães e vou concluí-lo  voltando ao tempo dela de colegial, um pouco antes de seu casamento. Estava eu, movido por uma horrível dor de dente, rebocado por minha tia-irmã Mercês, no consultório dentário do Dr. Antônio Chiabi, que situava no início da Rua Cônego Davino. De frente, havia a Casa Cantídio, com placas pregadas à mostra com  os nomes dos proprietários: “Guabiroba, Coelho e Lott”. O fato notável estava para  acontecer: o dentista bambeou o pedal de seu instrumento (não havia motor a eletricidade, era uma máquina de ranger dentes).

Ou melhor, a dor era pedalada e ainda me lembro, nem tinham inventado a tal de anestesia. Mas a anestesia apareceu de verdade quando ele parou de pedalar para esticar a cabeça sobre a vidraça e olhar alguém que estava passando na rua (naquele tempo todos andavam a pé, poucos carros circulavam em Guanhães). E não somente o dentista, mas os vendedores e clientes da Casa Cantídio pararam  assim como os que transitavam na avenida abaixo, que se chamava Domingos Buzatti (nem sei porque mudaram o nome, hoje se chama  Milton Campos).

Uma só pessoa subia a Cônego Davino, impávida, sem se incomodar com olhares apreciadores, sem exibicionismo, e ainda não tinham inventado também o assobio deselegante. Mas ela passou. E subia devagar, remada parece que por uma melodia imaginária. E demorou tanto que me arranquei da cadeira e subi também num parapeito da janela, dependurei-me e coloquei o queixo para ver o porquê daquela gigantesca paralisia de uma cidade.

Sabem o motivo único e inquestionável daquele alvoroço de suspiros?  Anotem: Vâni de Carvalho Moura era a figura que subia a Rua Cônego Davino. Nunca tive a coragem de contar o fato a ela. Mas pra quê? Ela sabia e não se importava. Recolhia-se à sua também inquestionável humildade. E era assim que ela transitava  nas ruas de Guanhães por onde quer que lhe conviesse ou fosse necessário.

José Sana

Em 22/06/2019

Fotos: 1. Vâni e Lúcio com os filhos Ronaldo e Vanessa (formatura de Lúcio em Odontologia pela UFF-1970).

           2. Rua Odilon Behrens quase confluência com Cônego Davino (1970).

           3. Vâni e Lúcio em Paris (1991).

           4. Vâni, colegial (década de 1950)

           5.Igreja Matriz de São Miguel Y Almas

 


 

 

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