Notícia Seca prefeitura
HUMOR DOCUMENTÁRIO CRÔNICAS CULTURA GERAL JORNAL DE PREÇOS VÍDEOS MEIO AMBIENTE CIDADES ECONOMIA EDUCAÇÃO SAÚDE
Boa tarde - Itabira, quarta, 16 de outubro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

CRÔNICAS  
ITABIRA VAI RECEBER CHINESES SEM ÁGUA?
"Tomara que chova três dias sem parar!" 17/09/2019

 

Nas décadas de 1960-1970-1980, consolidaram-se em Itabira os projetos Cauê e Conceição. O então prefeito, eleito para o mandato-tampão (1971-1972), Padre Joaquim Santana de Castro, inaugurou as obras do Ribeirão Pureza. Diziam vozes oficiais na época que  Itabira teria água em abundância até o ano 2000. E ainda foi reforçada pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Gatos. Contudo, não teve nenhuma abundância, a seca continuou e continua.

 

Exatamente no início do século XXI, acendeu a luz vermelha no bico de nossas torneiras. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) começou a negar aos requerentes, principalmente da área de pequenas indústrias, a instalação de padrões maiores para abertura de negócios que gerariam emprego e renda. Consolidou-se  a seca itabirana, mesmo reforçada por bombas que buscavam o chamado “precioso líquido”, a 300 metros  de profundidade, quando entra a mineradora Vale, no seu “mea culpa” por rebaixar sempre o lençol freático, forçada a furar esses poços cidade afora.

 

Cada administrador do Saae e da Prefeitura, sabendo que a culpa é da rica empresa, que sempre mandou e desmandou na cidade, foi empurrando com a barriga, como guardou também nas gavetas o caso do lixo, até hoje em papéis e bla-bla-blás. Vê-se que Itabira não cresceu tanto como cidades pares, apesar de estar cheia de grandes prédios de dez  pavimentos, que passaram a ser permitidos pela lei de ocupação do solo e outros ordenamentos urbanos. Muitos edifícios vazios apontam-se para o céu, às centenas, desmentindo a tal defasagem de moradias para a clássica explicação do das favelas.

 

Dormindo em berço esplêndido, a nossa Itabira recebe a notícia da empresa Vale que não ficará mais no município daqui a dez anos. Seria um belo comunicado se não tivessem ocorrido tantos estragos praticados em 76 anos de mineração faminta para corrigir. Para os entendidos, estouram centenas de problemas, senão o mais grave que será como substituir as fontes de arrecadação municipal do royalty e do ICMS.

 

A Prefeitura está abarrotada de servidores e precisa preparar-se para esse futuro breve e já anunciado como de vaquinhas magras pastando ao redor dos cofres municipais. Aí aparece o último milagre itabirano. Empresas chinesas se candidatam a socorrer a cidade e prometem emprestar cerca de U$ 100 milhões, ou mais, com a garantia da arrecadação da Compensação  Financeira  pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que soma as arrecadações do royalty do minério de ferro.

 

O milagre, no entanto, esbarra no problema acima descrito da falta de água. A própria Prefeitura emite uma “nota de utilidade pública” nestes dias, informando, no seu bojo, que falta aqui, ali e acolá e pode faltar em tempo maior. Cita  a informação dezenas de bairros, praticamente a cidade toda. Enfim, Itabira, sem atingir a meta que propõe para atender os chineses, ainda se esbarra na própria estagnação, que começou no final do século passado e se estende por maior tempo, imprevisível por sinal. O dinheiro chinês, diria os contestadores, é para expansão da Unifei, construção do Parque Tecnológico e do Aeroporto Industrial, além de modernização do Porto Seco. Será que esta empreitada não seria para trazer o desenvolvimento que não se faz sem água?

 

Um cidadão muito zeloso com a cidade, me envia a seguinte nota, de autoria dele: “E os projetos para preservação das nascentes e recuperação das áreas degradadas, o Saee, a Arsae a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Ministério Público, a Câmara Municipal, o Codema e os demais responsáveis e  interessados nem se lembram mais disso?”(Nivaldo Santos).

 

Outras  perguntas simples faço agora: os chineses vêm para a cidade para plantar mudas de cactos? Ou para aprender a canção de carnaval que cantamos desde as reminiscências da expansão da mineradora: “Tomara que chova três dias sem parar”? Espero que alguém possa me tranquilizar o coração ou mesmo me encher de informações que não tenho e muita gente não tem.

 

Vamos sair desta enrascada, acredito, tenho fé. Mas sou obrigado a dizer, repetidamente, que toda a culpa pela seca itabirana foi e é causada pela mineradora que quer “rachar fora.” Ela  dá lanchinho, cadernos e lápis como “souvenir” para agradar a comunidade “desorganizada”, mas soluções objetivas, cadê elas?

 

José Sana

Em 17/09/2019

 


 

 

caracafm
 
INFORMAÇÃO DE QUALIDADE! E-mail: contato@noticiaseca.com.br
Notícia Seca 2019. Todos os Direitos Reservados.

Desenvolvedor: SITE OURO