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Boa tarde - Itabira, quarta, 16 de outubro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

CRÔNICAS  
ITABIRA, FIDE E DOCUMENTÁRIO
Entidade itabirana completa 60 anos 22/09/2019

 

Este texto poderia ser iniciado com Itabira. Ou um capítulo à parte, Fundação Itabirana Difusora do Ensino (Fide), que neste ano completa 60 anos de existência. Mas vou abri-lo com a citação de um Documentário bem preparado pela direção da instituição, que tem à frente Cândida Isabel Campos, presidente, e Marli Áurea Lacerda Lage, superintendente. As pesquisas tiveram a coordenação bem estabelecida da simplíssima Cláudia Guerra, com a edição entregue à competência de Fernando Martins.

 

Bem, hoje é 21 de setembro. Nasce a primavera mesmo que ainda atemporal, dizem os entendidos em clima. Os relógios marcam 18 horas e estamos no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, onde, normalmente se realizam os principais atos históricos e culturais de Itabira. Será exibido, intercalado a homenagens, um Documentário que promete não ser a história da Fide, mas que acaba se tornando pelo menos um ponto direcional não só da entidade como desta comuna chamada Itabira, que caminha faz tempo à procura de sua real identidade.

 

E dou um salto rápido para chegar exatamente a Itabira, cuja história seria mais importante para todos. Já que ainda discutem essa busca, posiciono-me na velha ideia de juntar os cacos. Esta é a síndrome do itabirano que o vídeo resolveu em cerca de uma hora de projeção. Os cacos seriam o que Itabira tem feito desde o início do século XX quando começou a construção de sua  identidade.

 

Como valioso exemplo, em "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, a população de seu imaginário povoado, chamado Macondo, para nós Itabira verídica, divide-se em José Arcadio e Aureliano Buendía, o primeiro trabalhador e otimista, mas o segundo sempre desconfiado e triste. Eram alguns de nossos munícipes os Arcadios que se contrapuseram aos Percival Facquars, os Aurelianos, todos Buendía. Recordemos que os ingleses aqui chegaram e compraram as terras das minas Cauê e Conceição a preço de banana e fizeram “Tutu Caramujo cismar-se na derrota incomparável” (Drummond). Que a história não se repita.

 

Dentro dos fatos que somam capítulos na jornada que poderia denominar-se “Itabira e seu destino”  - permite-nos assim denominar toda a história; vamos também encontrar pequenos empreendimentos, empresas de médio porte  e aquela que se tornaria, às custas de Itabira, a super Vale S. A.; ainda escolas, associações, sindicatos, entidades religiosas, irmandades, enfim, um mundo de iniciativas, as quais chamo de cacos até que acordem e entendam que os pedaços ajuntados formam um grande todo.

 

Entendemos que nem depois de 3,8 bilhões de anos, marca  da época de aparecimento do ser humano no planeta Terra, não foi possível construir uma história do mundo, mas foi e é, sim, permissível denominar os capítulos, selecioná-los e, finalmente, dimensioná-los em contextos para serem entendidos. Como exemplo, a história de Itabira teria a Irmandade Nossa Senhora das Dores; as corporações musicais  — lembrando que neste ano a Santa Cecília completa um centenário; os clubes esportivos  — não vamos esquecer que o Valeriodoce Esporte Clube teve uma vida fértil no meio de sonhos e pesadelos; as associações de amigos de bairros, os sindicatos, os conselhos regionais, as entidades filantrópicas, clubes de serviço, grandes forças vivas e organizadas da sociedade civil.

 

E chegamos à área educacional, sem saltar os setores de saúde — em que se tornaram importantes os hospitais e clínicas; e continuamos as buscas ao focalizar a educação, com compensados esforços e sacrifícios — o Colégio Nossa Senhora das Dores, prestes a completar cem anos; a Funcesi, que emergiu de uma grande revolução chefiada por notórias personalidades; a Unifei e dezenas de outras faculdades, principalmente a Una, que até embelezou o centro da cidade, todas atraídas exatamente pelo sintoma de progresso estudantil e universitário; então, chegamos à Fide, esta que é o alvo agora, e que se tornou sexagenária. Era o motivo da celebração e o é deste escriba.

 

Centenas de itabiranos afluíram-se ao local para ver o Documentário, não somente uma narrativa de fatos totalmente imparcial, mas também a história juntada em cacos, que seria o modelo de um entendimento para montar um compêndio sobre o globo terrestre. Nos relatos apresentados, vimos as lutas, as iminências de derrotas, o levantar e o sacudir a poeira, a quase última respiração de uma força, num sufoco pré-agônico, o desbravar-se  com unhas e dentes para não sucumbir-se.

 

Os cacos somados aos sacrifícios ficaram fortes, como naquela assertiva de “unidos venceremos”, até que se formaram barricadas na guerra contra os torpedos das baionetas que eram desferidas em direção ao alvo, esse  resistente, que sobreviveu e mais que isso, agigantou-se. E no teatro da Fundação lágrimas de muitos jorraram torrencialmente ao verem recordados tempos sofridos, o calvário percorrido, as contendas vencidas.

 

Itabira tem, então, esse modelo ao seu dispor para com ele perseguir o futuro. Assim também há o exemplo da Alemanha, no Vale do Rurh que, desativou, com festas e vivas, a última de suas milhares de minas de carvão. Vamos ter a coragem de comemorar o fim do Cauê, nossa síndrome de riquezas que se foram? Para se ter uma ideia, nos melhores tempos da década de 1950, mais de 600 mil pessoas trabalhavam no setor mineral alemão. E Itabira jamais passaria dos cinco, seis, sete mil trabalhadores no auge de seus projetos minerários.

 

Agora tudo caminha para o fim, esta uma locução adverbial inevitável da língua portuguesa e da vida humana. Mas esse fim não vai pôr fim à nossa capacidade de continuar a batalha porque, por fim, tudo pode ser mudado para os exemplos da Fide, que desafiou o sentido das palavras e a tendência dos fatos: sempre conseguiu soerguer-se, ter a coragem de seguir à frente e transformar agonias em constantes novos inícios.

 

José Sana

21/09/2019

Fotos: Fide

 


 

 

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