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Boa tarde - Itabira, sábado, 14 de dezembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

JORNAL DE PREÇOS  
HIPERMERCADOS ENCHEM ITABIRA
O que vai pesar: preço ou atendimento? 16/11/2019

 

Esta a frase que ouvi diretamente da boca de um aposentado da Vale: “Itabira recebe uma chuva de hipermercados”, aproveitando-se da chuva de verdade que caía intensamente. E completava; “Fora os super que enchem a cidade e a periferia”. Eu mesmo acrescento: fora o armazém da esquina em que Dona Maria vai comprar na mão de Seu Joaquim, ou manda o filhote Zequinha buscar o “mastomate” para a imperdível macarronada de domingo. E tem ainda o “franguim caipira” que não falta no cardápio de fim de semana, trazido da roça por Seu Antônio, que vende “baratim”.

 

Sou do tempo quase antigo de Itabira que só tinha Braguinha e Magalhães, além do armazém da Vale, esse que só vendia o chamado “grosso” -  feijão, arroz, macarrão, batata, café, açúcar, alho e cebola. E fim de papo. Quando a antiga CVRD resolveu fechar o seu armazém, arrendar o espaço do Campestre e Conceição para o Supermercado Bandeirantes, e instituir o chamado “cartão de limite”, cujo responsável era o  querido Ibraim Ferreira, os dois distribuidores de alimentos arrepiaram-se de medo. Tremeram. Mas não perderam nem meio cliente. Nem reduziram o estoque e a venda. Havia o atendimento diferenciado.

 

De uns tempos para cá Itabira virou alvo de grandes empreendimentos, além dos seus armazéns que se tornaram hipers. Lembro-me do Nova Europa no início do Bairro Praia em acanhadas duas portas que hoje são super e hiper; recordo-me do Nova América também tímido, depois se expandindo até para bairros e cidades vizinhas; outros nomes apareceram e chegou o SJ vindo da região de Santa Bárbara e Barão de Cocais. E o JL com a autoridade íntima de quem sabe o que faz. Agora o aviso era para arrebentar com vários novos investimentos dignos de bate-palmas de políticos, presenças de prefeito e vereadores em inaugurações, discursos etc. Mas Itabira continua naquela sua mania do interior: atendimento, entrosamento, carinho.

 

A coragem de investir na cidade vale pelo crédito no futuro, já  que Itabira  recebeu  o ultimato da Vale de que vai embora em 2028. Desafiando o paradigma de que o minério de ferro não dá duas safras, mas também não é o último de todos os ciclos rentáveis, os empreendedores de fora, corroborados por pesquisas, que dizem acho que o seguinte:  “Os consumidores itabiranos estariam se evadindo para cidades vizinhas, incluindo Belo Horizonte e João Monlevade”. Com base nessa informação, e outras, abriram duas grandes portas, uma no Contorno Rodoviário, outra mais na área central. Então, o aposentado da Vale, que dita as regras do consumo, vem com outra conclusão dizendo para mim: “Esse troço aqui vai ficar bão dimais!”.

 

Apareceram grandes marcas. Vamos ver as novidades das prateleiras e se podem encher as  gôndolas por muito menos custos. Ah... promoções... mas essas sempre existiram em todos os supers e hipers. E eis uma realidade que os de fora não captaram, nem entenderão: o itabirano é desmanchado, caído, dobrado, apaixonado por um agrado. O bom atendimento é a política de fazer a entrega na porta, dividir o pagamento em quantas parcelas se quiser, anotações em cadernetas, ser cumprimentado pelo  nome — Dona Maria, Seu Zé, Geraldo da Filomena, Sebastiana, Taninha — e por aí vai. E quem faz bem isso é somente o puro itabirano, que não é mais orgulhoso, nem anda de cabeça baixa, como escreveu Drummond.

 

Bendita Itabira que cresce e afasta os fantasmas das barragens e do futuro sem minério de ferro! Agora adota a educação, a tecnologia, espera o porto seco, o aeroporto e as fábricas digitais como grandes puxadores de desenvolvimento. Cresce, cresce, cresce, mas nunca se desprega do costume interiorano: ser bem tratado é a regra básica. Para completar, o aposentado da Vale ainda dirá: “O preço um pouco mais baixo perde na preferência quando entra o longo prazo misturado com o ‘chem-chem’”. Pronto, falei. Este o grande segredo: “chem-chem” feito na hora certa, hora bem medida.

 

Graças a Deus eu entendo desta Itabira, conheço o itabirano em detalhe sobre detalhe e posso falar e escrever de cadeira.

 

José Sana

16/11/2019

 

 


 

 

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