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Bom dia - Itabira, segunda, 21 de setembro de 2020   NOTÍCIA SECA CONTATO

POLÍTICA  
ACORDA, ITABIRA!
Sua hora chegou! 31/07/2020

 

Desde quando conheço Itabira, ainda criança, falam que cedo ou tarde ocorreria um fim desastroso da cidade: a exaustão do minério de ferro.

 

Um dia me elegi vereador.  Na primeira oportunidade que o destino me incumbiu de executar uma tarefa nobre, com a ajuda de colegas parlamentares, promovemos o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras.

 

Entre debates, palestras e a conclusão do evento lançamos o propósito de criação do Royalty do Minério de Ferro. A “Carta de Itabira” rendeu discussões políticas nacionais e acabou sendo inserida como principal receita dos municípios mineradores na Constituição Federal de 1988.

 

A cidade continuou crescendo. Seus altos recursos, no entanto, não serviram para promover a substituição da principal atividade econômica. Acabamos embarcando numa nau sem rumo. Mesmo assim, vários políticos e empreendedores tentaram  consertar o leme, acertar no rumo da proa. Mas o fantasma continuou a existir – “o minério vai acabar” – agora em reclamos mais contundentes, pois a cidade cresceu e está ameaçada por um inimaginável bolsão de pobreza.

 

O que é isso?  Simplesmente o fato de perder o município 80% de sua receita. O que fazer com quatro ou cinco mil servidores municipais? Demiti-los? Não pode. Mesmo se pudesse, de qual produtor de receitas viriam  os recursos necessários? Haverá fundo para garantir a complementação de aposentadorias? O comércio fechará as portas definitivamente? Pequenas indústrias desaparecerão? E os serviçais? A cidade-polo sumirá do mapa? Chega a assombração para nos golpear a responsabilidade e punir a nossa criminosa preguiça. Eu, você, nós, todos juntos, cometeremos o crime imperdoável só em dizer que não estamos vendo a maior evidência estarrecedora que se projeta aos nossos olhos?

 

Mil interrogações atacam  as  nossas noites de desassossegos. Noites nossas, digo, dos que não estão no poder. Mas pergunto: e os detentores de cargos públicos, que recebem altas remunerações, conseguirão ter paz de espírito, debruçados em travesseiros que transpiram incertezas cruéis? Não terão medo do acerto final de contas com seus descendentes?

 

Sem resposta, por enquanto. O ano fatal vem aí. Não haverá o que temíamos antes, a exaustão, mas, sim, a despedida da Vale, que já tem  data marcada: 2028. A hematita não existe mais. A concentração mineral para tornar rica a matéria-prima já não alcança o objetivo de suprir o mercado.

 

Então, vamos esperar o líquido entornar para chorar no leite derramado? Alguém prefere optar  a favor da omissão, da ociosidade, do cruzar os braços e esperar para o que der e vier? De nada serve o alerta de  Antônio Alves de Araújo, proferido no século 19 e colocado num poema por Drummond: “Só, na porta da venda, Tutu Caramujo cisma na derrota incomparável”?

 

Itabira só tem um caminho a seguir: buscar um gestor para liderar um novo processo, que já deveria ter sido iniciado há anos, e com ele iniciar o seu indispensável  planejamento estratégico. Esperar que aconteça a solução por outras vias é crer em milagres sem santos e sem Deus. O medo da derrota não pode apagar a nossa vontade de vencer. O próximo prefeito terá que ser ele o novo líder desta inquestionável arrancada.

 

Diante da realidade que aí está estampada aos nossos olhos, convido o itabirano – mesmo o morador de cidades da região, que dependem de Itabira no seu dia a dia – a juntar-se ao bom-senso nesta proposta:  vamos escolher um gestor capacitado para governar o município? Ou vamos deixar o tufão varrer a nossa capacidade de lutar?

 

Não quero liderar este ousado e indispensável grito de independência. Não me chamo Dom Pedro nem primeiro, nem segundo, nem terceiro, nem milésimo. Não quero, não anseio, não estimo ver meu nome na frente. Meu tempo já passou e agora desejo também que no futuro os nossos herdeiros digam que “meu avô foi um relapso, um desleixado, um negligente, um zé-ninguém”. A proposta está firmada e a proclamo de alto e bom tom:

 

Acorda, Itabira, sua hora chegou!

 

José Sana

Em 31/07/2020

 


 

 

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