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Poucos cidadãos já operaram esta conta ou já pensaram no assunto. Mas daqui para a frente a maioria dos itabiranos verá o resultado trágico de um erro cometido e terão o choque de um sentimento melancólico baseado em um número, o  4.746. Essa  é a diferença de votos entre os  principais candidatos a prefeito Marco Antônio Lage (eleito) e Ronaldo Lage Magalhães (segundo lugar no pleito), nas eleições itabiranas de 15  de novembro  de 2020.

 

Aqui fala, ou escreve, um dos culpados dessa tragédia eleitoral, vilão reconhecido  no trajeto. O início de nossa derrocada, sublinhem depois da subtração: 33.141 — 28.395 = 4.746. A  cifra  não dá no jogo do bicho, ainda  promoveu a derrota de um povo. ”O homem chegou e mudou o rumo da história, fazendo o que quis”, disse um chamado “piolho de reunião de vereadores”.

 

Agora vou explicar com detalhes o porquê do desastre itabirano e deixar registrado um desafio a quem quer que seja. Adianto que tenho provas e comprovações contra  todos os argumentos técnicos, políticos, jurídicos e quais forem. Infelizmente, a verdade é esta: o maior balde  chutado saiu de uma bicuda de nossos pés, itabiranos, que até gritamos nas ruas.

 

OS CHUTEZINHOS EM BALDEZINHOS

 

De acordo com registros das mais antigas eras itabiranas,  preocupamo-nos  com o que vem pela frente desde a emancipação, em 7 de outubro de 1833 (e não em 1848). Já no XI Congresso Geológico Internacional, realizado em Estocolmo (Suécia), em 1910, o Brasil inteiro foi sacudido pela informação sensacional. Em pesquisa científica, a professora itabirana Cecília Maria  Camilo (1992) citou o relatório elaborado pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. Tal documento  revelou que “no centro de Minas Gerais (Itabira) estavam localizadas as maiores reservas mundiais de minério de ferro”. Eis aí o “saudoso” Cauê, que hoje se tornou uma cava imensurável.

 

Cecília e outros pesquisadores também registraram  que o termo  diversificação econômica e/ou economia sustentável são de tempos remotos. O que ocorre nos dias atuais é anterior, portanto, ao Cauê, vendido a “preço de banana”. Um chutezinho metido a  maroto, como verdadeiro, repetiu-se ano a ano. “O itabirano é frouxo”, trabalhos acadêmicos comprovam isso. Enquanto vendiam as nossas riquezas, “Tutu Caramujo cismava na derrota incomparável”. (Drummond, 1930).

 

Havia uma pedra no meio do caminho, ou muitos obstáculos. Um deles foi o caso  do Instituto Agronômico, que funcionou e formou duas turmas no fim do século XIX, trazido por Domingos Martins Guerra, vindo de Caeté e  levado (ou surrupiado)  por ato politiqueiro para Alfenas, no Sul de Minas; a tentativa de criar uma usina siderúrgica em Itabira, pelo empreendedor americano Percival Farquhar, barrada por Getúlio Vargas, em 1941, que a desviou para Volta Redonda (RJ), para beneficiar seu genro, Amaral Peixoto, então interventor no Rio de Janeiro e lá fundou a Companhia Siderúrgica Nacional (CNS); a Campanha de Itabira, encetada pelo cidadão itabirano José Hidemburgo Gonçalves, em 1954, para garantir a instalação da sede da Vale na terra-mãe, fato que acabou não se registrando; outros detalhes mais, descritos pela ex-vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal, professora Maria José Pandolfi, que realizou um vasto levantamento histórico, registrado no Museu de Itabira,  de 2007 a 2008, sob o título de “Desmistificando a História de Itabira”.

 

 

PROCURA-SE UMA VOCAÇÃO ECONÔMICA

 

Não há como negar que Marco Antônio Lage é bom de “chute no balde”. Verdadeiro artista, que engana a própria sombra, chegou a Itabira, “politiqueiramente”, no terceiro trimestre de 2020. Rondou a cidade até conseguir uma vaga para candidatar-se a prefeito nas eleições de 15 de novembro daquele ano. O candidato apontado vencedor em pesquisas era Bernardo Mucida de Oliveira, do mesmo partido dele (PSB), na época. Havia uma confiança mútua entre as partes.  O primeiro, com a faca e o queijo nas mãos, desistiu; o segundo, absolutamente seguro de que seria um franco atirador, desconhecido, topou. Os bobos da corte, incluindo-me, “entramos pelo cano e encontramos a torneira fechada”, como o povo dos grotões, diz a voz popular.

 

O  grande e aparentemente fatal obstáculo, ou pedra no caminho de  Itabira, era o seguinte:

perguntava-se de casa em casa, de porta em porta, de esquina em esquina,  qual seria a vocação econômica de Itabira. A pergunta durou anos, como disse, desde a emancipação administrativa, em 1833. O primeiro grande traçado itabirano chamado consultoria, foi realizado no governo de Wilson do Carmo Soares, em 1963, pelo arquiteto Radamés Teixeira.

 

Após  Radamés ocorreram os aparecimentos de  festivais de consultores, cujos nomes somam fileiras imensas. Entre os destaques, recordamos de Paulo Haddad, Sebastião Carlos de Andrade, Wolfgang Franz Josef Sauer e dezenas de outros. Alguns chegaram duas vezes ao ponto procurado: a vocação econômica itabirana seria metalmecânica ou madeireira. Houve um grande movimento no Distrito Industrial, mas tudo permaneceu indefinido.

É oportuno repetir, sempre com ênfase, que Itabira é uma cidade que se orgulha (e devia babar-se) de ter, em pleno centro das atenções, as figuras a que chamamos de Três Marias – Maria Cecília de Souza Minayo, Maria  do Rosário Guimarães de Souza  e Maria das Graças de Souza e Silva. Elas representam mais do que serem radicadas na terra de Drummond, grandes fornecedoras de dias melhores para a cidade que escolheram para viver, continuar a luta e defender suas convicções. Elas já ensinaram em trabalhos científicos publicados em livros, aprovados em grandes academias  o X da questão itabirana.

 

O VERDADEIRO CHUTAÇO CONTRA ITABIRA

 

Estamos frente a frente, você, leitor, e eu. Vamos contar a verdadeira história. Apareceu um super guia enviado pelo Criador. Não é brasileiro, mas o que isso importa? Renato Aquino Faria Nunes nasceu na Ilha da Madeira, em Portugal. Era reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). A Vale procurava mais formações para engenheiros com novas especialidades. Itabira estava na transição de governo Ronaldo Magalhães-João Izael Querino  Coelho. O consultor indicado pela mineradora chama-se  Kleber Carvalho Guerra, natural de Santa Maria de Itabira, mais um “garrucheiro” sem arma de fogo, mas com inteligência afiada, mais que um míssil da paz

Data 2008 em Brasília: reitor Renato Aquino, Deputado José Santana, vice-presidente Alencar, prefeito João Izael, secretário Gilberto e vereador-presidente da Câmara José Celso (Foto NS)

Participei intensamente dos entendimentos e tenho detalhes inumeráveis, que irei narrando sempre que necessário. Estive em reuniões acerca do tema  em Itabira, Belo Horizonte, Itajubá, Brasília, Nice e Sophia Antipolis, as últimas na França. Preparei-me durante um ano para a viagem, estudei com dedicação o idioma francês durante um ano, antecipando-me à expedição. Estive em encontros seguidos  com o ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, cobrindo trabalho com autoridades itabiranas.

 

Aí, ficou desenhado: a vocação econômica de Itabira tem nome e certezas absolutas: Itabira seria uma Cidade Universitária de grande peso. Já tinham sido criados nove cursos de Engenharia. Na minha parcela de visionário, modéstia às favas,  com o dom que Deus me deu, vi em Sophia o desafio que, em 2010, o ex-reitor  Aquino apontara-me.

 

Fiz a outra parte do trabalho: engajei-me na campanha a prefeito de Marco Antônio Lage, por pura crença idealista. Ele me garantia, com toda a certeza que extraí de seu falecido pai, de que essa seria o passo mais difícil, o encontro da vocação econômica da terra de Carlos Drummond de Andrade, a  bandeira a ser hasteada.

 

O candidato, que ajudamos a eleger, Marco de Ipoema,  acertou com a comunidade em cheio, na sobra dos 4.746 sufrágios. Repetiu as promessas em reuniões, praças públicas, comícios, caminhadas, suas inarredáveis “lives).

 

Por obra de Satanás, que tem força de verdadeiro demônio, ele deu a guinada final. Parece que alguém chegara aos seus ouvidos (uma dessas gurus eu conheço) e lhe ensinou a frase fatal: “Moço, a única coisa que você sabe fazer é falar bem e convencer ao mundo que pedra não é pedra; vá e fale à vontade, portanto”.

 

Daí para a frente o destino  apontou-lhe o que fez : CHUTAR O BALDE. Agora, digo eu, nos viremos ou vamos com a vaca para o brejo.

 

José Sana

Em 20/03/2026

Imagens

 

PS,: Alguém pode afirmar que em 2024, Marco Antônio “encheu o balaio” com uma super votação no pleito de novembro. Esta é outra história e estarei aqui para estampar todos os porquês que provocaram a sequência da  derrocada itabirana.

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

    HAVERÁ EM ITABIRA UM JUÍZO FINAL EXTRA

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