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Se algum curioso, turista ou estudioso de Carlos Drummond de Andrade, chegar a Itabira, com certeza vai pegar o “bonde” de volta a de aonde veio.  E daí, com discrepância escandalosa entre o que  lê  na “imprensa” e o que vê, sai,  xingando até a imensa quantidade de Drummond espalhada por Itabira de cabo a rabo. Uns, de raiva, arrancam óculos e rebocam a cara, alguns quebram o violão de Newton Baiandeira, que nada tem a ver com isso. Até porque lhe deram um tamanho desproporcional.

Uma das poucas atratividades que podem segurar o visitante na cidade, da área cultural e  turística, apesar da abundância citada, deve ser mesmo Drummond, com suas belas imagens de poemas indeléveis e histórias narradas em seus caminhos. Se pensar em saúde, pode encontrar uma cidade se esforçando para encontrar o desenvolvimento e pegar o vagão do desenvolvimento.  Em educação, esbarra no desinteresse da administração municipal, só audível e visível pelo  lero-lero que atribuíram ao atual chefe do poder que lhe foi auferido na Cemig. O resto pode salgar com mais sal grosso que alho.

 

O QUE PODE SER SALGADO

 

Tudo o que dizem de “qualidade de vida”, infelizmente, não é verdade. O próprio povo, que pouco entende do assunto (apenas uns 20%,  por alto) conseguem discutir o tema. O comércio sofre com o abandono e as reclamações de que nem o pessoal da mineradora, nem da prefeitura, optam por fazer compras na cidade. João Monlevade distribui mais simpatia aos clientes de balcão e aos demais que perambulam à procura de alfinetes ou agulhas de coser. Ou uma miudeza qualquer.

A poluição apaga qualquer entusiasmo e começa com a do ar, escandalosa, criminosa e  implacável. Os que parecem mais incômodos ou acomodados há mais de 80 anos  adoram o tal fino do minério, que cai de qualquer forma nas mais de 50 mil casas, apartamentos, chalés, barracões, puxadinhos e remendos de papelão. Causa  uma incrível endemia que mata os sensíveis, não poupam velhos e crianças, tiram o direito de viver dos pré ou recém-nascidos.

O poder público dá um verdadeiro show, enchendo ruas, avenidas, becos e barrancos de lixo diversificado, produzindo quantidade insuportável para a população atolar-se desbragadamente. Essa incomunicável multidão não acredita que desde 1999 aguarda a implantação da  Central de Resíduos para separar e industrializar  a sujeira,  hoje ainda misturada em toda a área municipal. Seria responsabilidade da Vale S.A., mas a que seria a cobradora em nome do povo, não consegue defender o povo, ou consegue na verborragia descarada que virou modelo de governo em Itabira.

“O lixo, principalmente quando mal acondicionado ou misturados orgânico com reciclável,  formando lixões (Itabira já teve Aterro Controlado),  atua como um ecossistema perfeito para a proliferação de insetos e outros animais nocivos que trazem riscos sérios à saúde, agindo como vetores de doenças e pragas urbanas” – afirmam entendidos.

Todo mundo sabe, mas poucos tomam suas medidas, principalmente sobre o lixo de Itabira que não é separado, qualificado, pelo contrário formador de ambiente para doenças.  É um dos principais fatores para a proliferação de vetores de doenças graves.

Resíduos orgânicos e inorgânicos espalhados pela cidade (só juntados em véspera de eleições), aos matos,  atraem pragas urbanas e criam o ambiente ideal para a reprodução de mosquitos, ratos e outros animais. Os resultados produzem lixo que atraem pernilongos, baratas, ratos, camundongos, zika, dengue e outros bichos

 

E CHEGOU O SENHOR BARULHO

 

Aí vem ele, no princípio de mansinho, sorrateiro e agora escandaloso, o Senhor Barulho e arrebentam até tímpanos até de elefante se esses estiverem por perto, frente a frente.

A verdadeira “bomba” agora exposta, o barulho entra no inferno das agressões. Nunca se ouviu, nunca se ouve e talvez nunca se ouvirá tamanha violência agredindo os ouvidos humanos e provocando a fuga de gatos e cães mesmo nos quintais de trêmulas  e rachadas casas.

E as leis? No Brasil o limite de ruído para veículos, estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e fiscalizado conforme Conselho Nacional de Trânsito (Contram)  (Resolução 958/2022), é geralmente baseado no valor registrado no manual do fabricante, não ultrapassando 3 decibéis [dB(A)] acima desse valor na fiscalização. Para escapamentos, o limite prático é comumente considerado 99 dB(A) a 7 metros. Os números acima disso são frequentes nos horários de 8 da manhã até as 10 horas, depois de 12h30 a 18h30, de segunda a sexta-feira.

A verdadeira “bomba” agora exposta, o barulho entra no inferno, que deveria ser considerado crime levadas em conta as agressões que provoca. Nunca se ouviu, nunca se ouve e talvez nunca se ouvirá tamanha violência agredindo os ouvidos humanos e provocando a fuga de gatos e cães mesmo nos quintais de trêmulas  e rachadas casas. Ônibus acelerados, carros-volante até de porta-malas abertos, caminhão tipo “trem da alegria” azucrinando vivos e mortos, motos que repicam a aceleração – tudo ao mesmo tempo provoca os entendidos a gritarem palavrões, fator que também engrossa o ambiente. Nas padarias e praças (essas reformadas para quem está mesmo aposentado desempregado, comentam os vagabundos de FHC|: “A Terceira Guerra Mundial começou!”

 

José Sana

Em 28/03/2026

PS

Anotem: a situação tornou-se tão dramática que apenas  três  professoras – as Três Marias —  de status acima de PHD comparecem, sozinhas, frequentemente, ao Ministério Público, em audiências para explicar o óbvio de que a poluição atmosférica já matou mais de um terço de crianças e idosos desde o tempo do mato dentro. Conclusão: temos tudo nas mãos, recursos humanos, financeiros, econômicos, mas os parafusos estou desengrenados na cabeça da falta de gestão.

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

    RENATO DE AQUINO: “THE MAN OF IMMORTAL IDEAS”

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