A Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita) começou a sentir, pelos seus adeptos, na pele, a queda da riqueza que, desde antigamente, dizia o povo, “corre” em Itabira. O Diário de Itabira, retratou com fidelidade a reunião da entidade patriarcal em reportagem assinada pelo jornalista Felipe Jácome.
Imóveis fechados; oferta acentuada de empreendimentos para alugar e vender; comércio “tocando mosquito”; mudanças aceleradas de famílias para outros centros; planos de contenção de despesas e outras provdências começam a gerar pessimismo. A própria Vale anunciou o seu fechamento oficial em Itabira programado para 2041, mas há técnicos que afirmam ser essa uma previsão extensamente otimista.
TEMA TRATADO
A segunda reunião de empreendedores ocorreu ontem (9) na sede da entidade e contou com um número crescente de interessados, que se manifestaram em várias oportunidades que novos encontros serão marcados com o mesmo caráter de apartidarismo. Notícia Seca, embora não avisada do encontro, recebeu telefonemas seguidos após o evento e reafirmou que faz mais de 30 anos que está batendo nesta tecla: Itabira precisa pensar seriamente no seu futuro.

Vista parcial do Parque Científico de Sophia Antipolis, na França, modelo para Unifei de Itabira
O projeto de retomada da iniciativa, idealizado por Sérgio Amaral e Lúcio Souza, ainda não ganhou um nome oficial. No evento realizado na Acida foi chamado de Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico de Itabira ou de Aliança para o Progresso. Essa última denominação, com certeza foi inspirada em “Aliança para o Progresso (anos 1960 a 1970) iniciativa do então presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy.
No encontro desta segunda-feira falou-se na retomada de projetos como: “Porto Seco” (aproveitamento acentuado da linha férrea da Vale que, em outras regiões do país, está em franco funcionamento) e criação de ponto turístico chamado “`Parque Aquático”. O mais interessante e em tempo de ser corrigido: o projeto oficial do grupo de Ronaldo Magalhães, agindo também apoliticamente, apoiava o tríduo “Parque Científico e Tecnológico”, “Porto Seco” e “Aeroporto Industrial”.
BALDE CHUTADO
O fantástico projeto era e é ainda o Parque Científico e Tecnológico, que tinha a liderança do engenheiro português, ex-reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Renato Aquino Faria Nunes. Foi ele o motivador da DeFato, na época — agosto de 2010 — a visitar o maior parque do mundo, localizado no Sul da França, exatamente em Sophia Antipolis (o registro está na edição 210, página 36 a 41 da DeFato)

Ex-reitor da Unifei, Renato Aquino tem o futuro de Itabira tomado de suas mãos
Inacreditavelmente, as autoridades itabiranas não enxergaram que tinham as três condições para dar andamento ao projeto que hoje está sendo implementado no Sul de Minas pelo seu idealizador, o incansável Aquino. A revista publicou, em seis páginas, detalhes do modelo que transformaria Itabira de polo do segundo Parque Científico e Tecnológico. Em 40 anos de funcionamento, o parque rendeu aos cofres públicos da região francesa uma arrecadação dez vezes maior que a de Itabira.

Página 36 da edição de junho/2010 com projeção do primeiro parque do mundo. Itabira seria (ou será) o segundo
A esta mudança negativa de ideias muitos seres humanos e itabiranos lúcidos chamariam de “chutar o balde”. Mas agora não é hora mais de “chorar o leite derramado”. Estamos aí para fazer cumprir o sonho de nossa futura geração. Abro mão de tudo na vida pela segurança e felicidade de nossos descendentes.
José Sana
Em 10/03/2026
Fotos: N.S.












