Desde o tempo dos Druidas, aqueles povos líderes intelectuais e espirituais da antiga sociedade Celta, o metido em política não aprende a lição. É sempre o marinheiro de primeira viagem. E segue no mesmo ritmo assim: o sujeito é lançado candidato a algum cargo e acaba se destacando por até ironia do destino, enche o peito de ar para dizer que é o tal. E não se prepara para levar um chute no bumbum.
Normal, normalíssimo, tapinhas nas costas, gritos de “oi, mestre”, “vem cá oh meu querido”, “você vai longe” dirigidos a quem detém cargos eletivos ou não. Nasce, por magia do mundo inventado o cordão dos puxa-sacos. Há, realmente, grupamentos de lisonjeadores. Ninguém chama um prefeito, um vice, um vereador, um secretário de bobo e feio. Nem pensar! É o lindo, o cheiroso, o cara de santo, o bondoso.

E vêm as reuniões que já antecedem ao som dos alôs, elogios, de notícias que são dominadoras. É destaque quem está por cima, mesmo momentaneamente. Tive contato com nada menos que 40 chefes de governo, e mais uma centena de candidatos ou cabos eleitorais, na maioria dos casos como político, observador e analista, e pude sentir o calor da bajulação, e a vaidade que sobe como uma lagartixa nas paredes.
A compra e venda de votos não são fatos de correr dinheiro para lá e para cá. Raro encontrar um idealista pela frente, um despido de vaidade, em Itabira tem até secretários que bebem dois ou três copos de cerveja para dizer esta besteira: “Estou aqui só para conseguir alguns namoriscos”
TRAIÇÃO E MAIS TRAIÇÃO
Não há política sem traição. Definitivamente, não há. É fato inevitável. Já a corrupção, esta, não, ela é eventual, nos cantos de rua, ou nas pracinhas. O novo no ambiente chega ressabiado e demora a entrosar-se. Ninguém acredita em vencedor de disputa interna por cargo sem correr o chamado vil metal. E tem outra que pode ser anotada num caderninho de apontamentos: quem nada tem para dar, ou fazer que dá, pode cair fora porque não entra na canoa.
Aqui, o que interessa de conselho refere-se a avisar aos navegantes que a sem traição não há vitória. Maquiavel já dizia em “O príncipe”, em sua obra-prima, que a política só visa a conquista e a manutenção do poder. Deixa claro que deve colocar em ação o dinheiro e a astúcia. Quando o atual remador foi eleito a primeira vez, um (ou uma) puxador (a) de vagão disse: “Vamos dominar Itabira por pelo menos cem anos”.
Estamos em 2026. Teremos eleições neste ano. O clima está sendo mudado. Os encontros atrás de cortinas, o “disse-me-disse” no escuro se amplia, as trocas de mensagens com o tal “in off” já entraram na jogada, e tem, também, o tal vazamento meio parecido com as escapadelas de água do Saae. O politiqueiro, comumente chamado de “piolho de comitê”, é o perigo de toda a história, principalmente se não levar vantagem. Ele também quer levar o seu quinhão. Ninguém sai do balaio sem colocar no bolso ou no prestígio algum níquel de faturamento.
Está avisado. Está falado. Está escrito. O carregador de lata de minhoca quer também o seu anzol, ou nas algibeiras, ou nos alforges. “E eu, não levo nada?” A resposta é a seguinte: quem não tem cartas na manga da camisa vai dançar. É por causa disso que Pé de Pato e Pedro Rapadura ganharam uma eleição em Itabira.
José Sana
14/03/2026
Imagem: redes sociais












