Itabira da gripe crônica

Sou itabirano desde 28 de maio de 1966, quando aqui cheguei e tive a carteira profissional assinada pela então Companhia Vale do Rio Doce. Definitivamente, instalei-me nesta urbe para formar família, trabalhar, estudar e tentar servir à terra que escolhi para viver. Em mais de três anos, fiz parceria de morador de Belo Horizonte e da terra de Drummond. Em poucos meses recebia um presente da mineradora que dominava e domina as nossas vontades: “Você contraiu uma rinite alérgica”, atestou a competente médica-otorrino, Dra. Janice Aurora Bellavinha Tomazi. Para amenizar, anos depois recebia um prêmio que chegou com a autoria do então vereador, Raimundo Afonso de Araújo Lima: tornei-me cidadão honorário itabirano.
Casamento feito para durar
Poderia ter optado por outra atividade: fiscal de renda ou exator, depois de mais um concurso público vencido. Mas atendi meu pai e aqui me estabeleci praticamente em definitivo na terra de João Camilo de Oliveira Torres, acho que sim. Casei-me há 56 anos com a conterrânea de São Sebastião do Rio Preto, Marlete de Moura Morais Sana, que assumiu três cidadanias, incluindo Guanhães, onde também morei. E com ela temos a felicidade de ter tornado cidadãos da terra cinco criaturas como filhos e dez netos.

Vida comunitária, sempre o caminho
Já era um frequentador de reuniões religiosas ou cívicas em São Sebastião do Rio Preto, ou seja, nasci com o espírito comunitário à flor da pele. Aqui me ingressei na vida comunitária automaticamente. Inicialmente, bati na porta da Associação das Famílias Unidas do Bairro Major Lage; depois no Rotary Club de Itabira; também no Grupo de Escoteiros Padre Olímpio (como vice-presidente de Fernando José Gonçalves); secretário e fundador da Associação de Proteção à Infância “Nosso Lar”, com Delcídio Comunian, Marília e Sônia Rodrigues entre outros; fui vice-presidente e músico da Corporação Musical Santa Cecília, com Milton Dias Santos.

Na política, empurrado e forçado
Fui eleito vereador em 1972, lançado pelo membro do MDB Marcos Evangelista Alves. Presidi a Câmara Municipal em 1978 e 1982, Promovi, com a ajuda de 14 vereadores e o prefeito Dr. Jairo Magalhães Alves (1978), o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras, cujos resultados positivos foram os seguintes: criamos a Associação das Cidades Mineradoras de Minas Gerais (depois transformada em “do Brasil” ) e de lá foi criado o sustentáculo de nosso orçamento, a criação do Royalty do Minério de Ferro, depois de apresentação de projeto do ex-deputado federal à Constituinte (1988) Jorge Ferraz
Na imprensa, uma sequência…
Tivemos a felicidade de fundar a revista DeFato (1993) nunca época em que os recursos técnicos e o amor à imprensa livre eram ainda mais severos que hoje. Quando os atuais proprietários resolveram assumi-la, o site DeFato Online já era um sucesso em Minas Gerais. Deixando esse compromisso pesado, assumi uma nova criação, o site Notícia Seca e quatro blogs, ainda em processo ultra-uterino. Afinal, o maior compromisso que tenho, além da família e dos amigos, é com Itabira, cidade que corre o risco de “sair do mapa” devido à temível e temida exaustão mineral.
Agradecimentos
Também um pouco ousado ao ser autor de quatro livros, todos na base da vontade férrea e ajuda de um grupo de amigos, incluindo minha companheira. Peço desculpas por, mais uma vez, falar de mim, mas isso preciso deixar claro: acredito que minha vida ainda não acabou, como pensam muitos que se aposentam e falam como na minha terra natal: “Não vou entregar a rapadura, tenho muito o que fazer ainda”.
Para marcar estas seis décadas de trabalho assíduo, registro aqui os meus agradecimentos a Deus, aos familiares e aos amigos.
Itabira, 28 de maio de 2026.
José Sana
Fotos: Arquivos da família
PS.: Alguém me pergunta por que saí da Vale. Foi o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras que promovi e que trouxe o Royalty do Minério de Ferro para Itabira, as primeiras causas. Nesse encontro, também, criamos em ata a Associação das Cidades Mineradoras de Minas Gerais (Amig), hoje tornada do Brasil. Minha ação, meu comportamento durante os debates sobre Itabira foram eminentemente neutros, como competia a mim sê-lo. Mas a mineradora entendeu que eu merecia um “prêmio” e me presenteou com uma demissão. Meu advogado desta causa chama-se Dr. Bernardo Mucida de Oliveira e conhece toda a história. Nunca levei para o debate tal situação, mas ela marcou minha vida. Reagi assim: com cinco filhos, quase todos em faculdades em Belo Horizonte, fundei três confeitarias em Itabira e sustentei a família. A prova de que a verdade sempre triunfa e triunfará.












