Aqui está provado que os nossos atuais representantes — prefeito, vice-prefeito e vereadores, incluindo os suplentes — tiveram e têm conhecimento da terrível ameaça que atinge Itabira de extinguir-se como se fosse bombardeada por um exército maligno ao consumar-se a iminente saída da Vale de nosso município. Uma “cidade fantasma” vem por aí, tomara que nunca.
O MAIOR DESAFIO
Não há ainda, no mundo, operações econômica e financeira que gerem retorno mais rapidamente que a extração de minério de ferro, superando até a petrolífera que exige infinitamente mais investimentos. E Itabira foi contemplada com essa riqueza anunciada ao mundo, em 1910, no I Congresso Internacional de Mineração realizado em Estocolmo, na Suécia,
PIONEIRO SINGULAR
Atento ao anúncio de Estocolmo — o Pico do Cauê tinha sido descoberto e classificado como a maior mina a céu aberto do mundo —valoroso em alta quantidade e qualidade. A hematita, atraiu centenas de investidores à cidade, e aqui se aportou primeiro o comerciante norte-americano Percival Farquhar.

Inspeção de Percival Farquhar e seus serviçais no topo do Cauê pela Itabirsa Iron Co.
Quando esse já anunciava a construção de uma grande usina siderúrgica à beira do Pico do Cauê, recebeu a “canetada” do ditador Getúlio Vargas, que desapropriou as áreas pertencentes a Farquhar. Junto da pena do ditador, influenciado pelo seu genro Amaral Peixoto, então interventor no Rio de Janeiro, frustrou-se o desejo dos mineiros de ter ser concretizada a clara vocação econômica itabirana. Aí a Companhia Siderúrgica Nacional vazou-se para Volta Redonda. O prejuízo está registrado na ação de Li Guerra contra Vale e faz parte do processo que está parado nos Estados Unidos.
AS TRÊS MARIAS E DRUMMOND
As Três Marias são irmãs, nascidas em Rio Piracicaba, cidade situada ao lado de Itabira e aqui na terra drummondiana foram preparadas para a vida. Uma delas, Maria Cecília de Souza Minayo, socióloga, antropóloga, a primeira brasileira a receber a carteira de sanitarista recentemente. Reside no Rio de Janeiro, reconhecida como grande estrela, pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz A ela se inclui Maria do Rosário Guimarães de Souza (Zara)e Maria das Graças de Souza e Silva (Baginha).
Há uma gama de trabalho voltado para Itabira das teclas e penas de todas e Itabira segue perdendo valores seguidos de valores. Não vou me cansar de cobrar o quanto puder o aproveitamento de cada uma no contexto da história itabirana com o foco também do futuro. Carlos Drummond de Andrade, sua figura nunca sai das nossas “fatigadas retinas” (expressão drummondiana) e muito também das Três Marias.
RENATO AQUINO É O CARA
De volta a Estocolmo para o Sul de Minas, mais precisamente a Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Lá fiz a primeira entrevista com o reitor sobre o tema “Unifei”. Na minha frente o professor e reitor, originário da Ilha da Madeira, Portugal, Renato de Aquino Faria Nunes, transmitiu-me em primeira mão, a grande notícia: Itabira estaria a um passo de alcançar a g graça de ver instalada, em suas áreas, uma universidade junto a um parque científico e ecológico.
Naquele dia, 1.º de outubro de 2005, retornei a Itabira fazendo contas de todas as revelações gravadas. Tornei-me amigo de Renato Aquino em dezenas de viagens, incluindo duas idas ao gabinete do então vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva com uma comitiva de Itabira chefiada pelo prefeito João Izael Querino Coelho e fortalecida pelo deputado federal José Santana de Vasconcelos, Estiveram conosco o vereador presidente da Câmara Municipal José Celso de Assis e os secretários Carlos Henrique Silveira e Gilberto Magalhães.
“DIVRSIFICAÇÃO ECONÔMICA”, QUE NADA!
Chega de “diversificação econômica!” — eita clichê furado, muito batido, principalmente pelos que nada sabem e dizem apenas palavras ao vento para distrair um desinformado qualquer. E vou provar agora que precisamos adotar apenas um discurso, correto, sem demagogia e taxativo: ação pela Universidade Verdadeira. Numa das vezes que estive com Aquino em Itabira, Belo Horizonte, Itajubá e Brasília fiz a ele uma pergunta: “Por que o senhor insiste em ‘universidade diferente’ e ninguém sabe o que é?” Ele respondeu imediatamente: “Vá a Sophia Antipolis, no Sul da França e entenda o que digo. Conheça o primeiro e o maior Parque Científico e Tecnológico do Mundo, que mudou os rumos franceses”. Dei-lhe a mão e disse “Vou sim!”. E, em meia hora, estava no bairro Jardim da Gabiroba contratando meu outro amigo Padre Dickens Ermi, haitiano, para ministrar aulas de do idioma de Voltaire e Lavoisier. E formamos um time, incluindo minha esposa Marlete.
QUEM FEZ O QUÊ?
Dos prefeitos que Itabira elegeu dos anos 1960 para cá — Wilson do Carmo Soares (contratou o ‘plano diretor’); Daniel Jardim de Grisolia (deu andamento ao plano com Radamés Teixeira); Padre Joaquim Santana de Castro (seguiu o ‘plano diretor’, Virgílio José Gazire (instalou a Metalita e depois a Fermag Ferritas Magnéticas Ltda); José Maurício Silva (instalou as primeiras indústrias no DI); Jairo Magalhães Alves (firmou convênio com o Centro de Distritos Industriais – CDI); Milton Dias Santos (sequência do governo Jairo Magalhães); Luiz Menezes (fez ações no Distrito Industrial); Olímpio Pires Guerra (povoou o DI-1 e criou DI – 2 e contratou Paulo Haddad); Jackson Alberto de Pinho Tavares (fez contato com várias empresas montadoras de automóveis e contratou um dos maiores consultores do mundo, Wolfgang Sauer); Damon Lázaro de Sena (contratou Paulo Haddad, consultor); Ronaldo Lage Magalhães (estreito relacionamento com a China e por pouco não instalou grandes empreendimentos em Itabira) e, finalmente Marco Antônio Lage (contratou construtoras de praças e promoveu festas em grande estilo).
AOS NOSSOS DESCENDENTES
Este alerta não é político. Trata-se de questão de extrema segurança. Sei que o prefeito atual, Marco Antônio Lage, não se preocupa com o futuro de Itabira. Ele próprio já declarou, publicamente, que não investirá na Unifei. Aqui fala um itabirano (fui agraciado com o título de cidadania honorária por 19 vereadores, em projeto de autoria do ex-vereador Raimundo Afonso de Araújo Lima).Cabe esclarecer ainda o que vimos na França e qualquer cidadão pode confirmar pessoalmente ou pela internet. Sophia tornou-se uma cidade dez vezes mais progressista e desenvolvida que Itabira em 40 anos. Abriga o maior Parque Científico e Tecnológico do mundo.
Nada mais a acrescentar, senão salvar a pele diante daqueles aos quais só falta abrir a cabeça com um Machado. E que não é o de Assis, mas feito de ferro e aço.
José Sana
em 01/06/2026
Fotos: Arquivo
P.S. – 1: Estou à disposição de quem quer que seja para discutir o tema deste texto.
P.S. – 2. A que interessar possa, tenho documentos e/ou comprovantes de todos os fatos narrados nesta crônica.












