Em 1910, em Estocolmo, capital da Suécia, distante 11.244 quilômetros de Itabira, é anunciado, num Congresso Internacional de Mineração, que no Brasil há uma riqueza incomparável. Para ela se convergem gananciosos por dinheiro, poder e riqueza. Aí começa a história do Pico do Cauê.
De 1910 a 1942, Itabira passa por momentos decisivos, os ingleses haviam comprado grandes glebas da maior montanha de mineração do mundo. No meio do caminho, chegando à década de 1940, o ditador, porém útil naquele momento, presidente Getúlio Vargas decide nacionalizar as minas brasileiras e aí fica encerrada a invasão de estrangeiros nas terras itabiranas.
Nasce a Companhia Vale do Rio Doce, empresa que, depois da Segunda Guerra Mundial, vive dez anos na merreca, ajudada a sobreviver pela ousadia de Pedro Martins Guerra, itabirano de grandes posses. Dr. Pedro empresta dinheiro à mineradora e a salva de colapsos seguidos. Para reerguê-la definitivamente aparece a força de Eliezer Batista e aí se destaca a arrancada que a transforma numa das maiores empresas de mineração do mundo.
Em 13 de março de 2018, a mineradora, por meio de seus diretores, anuncia sua saída do Sistema Sul para dentro de um prazo de dez anos. É iniciada a corrida contra o tempo da realidade que a maioria do povo ainda não percebeu, talvez nem líderes políticos, provavelmente, quiçá alguns vereadores.
Em 15 de novembro de 2020 é eleito um governo que promete enfrentar o fantasma da exaustão e de questões acumuladas.
Empossado o novo prefeito, em 1.º de janeiro de 2021, começa a sua jornada de ações diante de desafios jamais vistos: primeiro, a pandemia, puxada por um vírus totalmente desconhecido; depois, uma cidade sem rumo, sem projetos, caminhando como um cego sem bengala; o futuro chegando e sem meios de antecipar às surpresas; tudo isso com milhares de problemas na sua vasta extensão territorial de 1.253 quilômetros quadrados, habitados por cerca 15 mil pessoas que sobrevivem em pobreza extrema e/ou em miséria absoluta, de acordo com levantamento da Secretaria de Ação Social.
Paralelamente, estampa-se um processo de oposição, correto, certo, válido, próprio de funcionar em países que desenvolvem, como no Brasil, a democracia plena, mas não como esta, notadamente irresponsável em alguns aspectos. Como meio de ajudar a interesses desconhecidos, a maioria particulares e escusas, faz-se um bombardeio injustificável, parecem ataques de vésperas de eleições, essas que só se repetirão em 2024. Desestabilizar um governo se estampa como meta. Pergunta-se: por que agora? Itabira merece?
O governo está errando? Que cada um procure a sua forma de informar-se, pedir explicações, lutar por ideias e exigir soluções. Aos vereadores, idem a recomendação criteriosa.
Ao passado de muitos erros Itabira não pode retornar. A hora agora é de decisões, porque vem aí o futuro sem minério de ferro, cuja extração e embarque poluiu e polui o ar da cidade; que provoca doenças respiratórias em muitos seres humanos; que ameaça a integridade de cada um com dezenas de barragens circundando a cidade. Mas, apesar de tudo, este foi o custo de tornar a receita itabirana uma das maiores per capita do Brasil.
Chega de sermos omissos em apoio a vaidades pessoais!
Chega de criticar sem conhecimento de causa!
Chega de pensarmos que agora é como antigamente, quando muitos cometeram absurdos e deixaram fatos rolarem ao bel-prazer de interesses próprios!
Chega de presenciar ocorrências claras de corrupção se sucederem sem qualquer reação!
Este site não foi criado para apoiar governo algum. O objetivo dele é acompanhar, fiscalizar, discutir, cobrar e, também, quando for a hora, dar um grito de basta!
Depois de quase 200 dias de governo do prefeito Marco Antônio Lage, precisamos ser cem por cento responsáveis. Está em jogo não somente o hoje, mas, principalmente o amanhã de nossos filhos, netos, bisnetos, próximas gerações, as quais, com certeza absoluta, cobrarão de nós, com muita exigência, e nos julgarão para sempre.
Itabira, agora, é tudo ou nada!
A Editoria
Fotos: Arquivo NS, O Trem Itabirano