
Roni Gonçalves: o poeta profeta, que deixou esperanças e atrai multidões
Relembre, leitor da revista DeFato e do site DeFato Online, a seguinte data: 1º/03/2003. Em seguida, 11/10/2003. Confiram a edição 130, outubro de 2003, páginas 20 e 21. Pronto. Junte as lágrimas que Itabira derramou durante todos esses 225 dias do citado ano. Dariam para convencer a cada ser humano de que o Além existe e o Infinito nos pertence.
Quem nos prova, dando um pequeno toque em nossa sensibilidade, chama-se Roni Gonçalves Barbosa. Quem é ele? Não um simples poeta da terra de Carlos Drummond de Andrade, mas quem nos enviou deste mundo, via o outro, a certeza absoluta que nos garante a vida eterna. E quem não crê, pelo menos tem o sentimento do respeito e lhe instala uma pulga na orelha.

O livro de Roni Gonçalves que terá sua segunda edição lançada no Flitabira, em 3 de novembro vindouro
A morte e a vida
As datas acima representam: a primeira, março de 2003, o poeta Roni morre em acidente automobilístico na BR 381, proximidades de Ipatinga; a segunda, sua irmã Laninha lança seu primeiro livro, no teatro do Centro Cultural de Itabira. Uma citação à publicação da reportagem. A nova data: 3 de novembro de 2023, vem aí a nova edição de surpreendentes poemas, em data importante da cultura itabirana, que Gonçalves deixou e recomendou.

Laninha: responsável pelo lançamento das duas edições de “Eternamente poeta”
Vale a pena reprisar a entrevista que Rosilane Gonçalves Barbosa, a Laninha, deu à revista ao anunciar o primeiro livro:
JS — Como vocês da família descobriram que havia um poeta na família?
L — Ele escrevia muito, sempre comentava, só não dávamos importância pelo fato de quase tudo estar relacionado com a morte. Aí, eu falava: “Ah, não, Roni, não leia esses poemas porque são muito tristes”. Quando nosso cachorro morreu, ele leu para mim um poema sobre o fato, eu chorei demais. No dia 1º de maio de 1994, nove anos antes de morrer, no poema “Fui” ele relatou como ia morrer, de acidente etc. e tal. Era muito triste.
JS — Ele não deixou versos alegres?
L — Há alguns poemas, sim, mas a maioria aborda mais a morte, a vida após a morte, a vida começa com a morte, por aí afora.
JS — E só depois de sua morte vocês descobriram, realmente, quem é Roni, um poeta e profeta?
L — Isso aconteceu rápido. Ele morreu no sábado, na semana de carnaval. Na quarta-feira, fomos à casa dele, em Belo Horizonte, e encontramos os escritos. Ele deixou um caderno em cima da cama com o poema “Despedida”.
JS — Além desse livro já pronto, no futuro vocês pretendem publicar outros poemas e livros?
L — Sim, pretendemos. Porque são muitos e, assim, faremos a sua vontade, pois ele claro que queria que tudo fosse tornado público.
JS — Você gostaria de deixar mais alguma mensagem?
L — Uma coisa que quero é que esse livro não fique apenas em Itabira, para todo mundo ver que, além de Drummond, Itabira tem outros poetas.
Nota da Redação
Importante ler na obra de Roni Gonçalves Barbosa é que a sua mensagem, além de fundamentos espirituais, contém uma mensagem de esperança. Ele diz e repete que “a vida começa com a morte”. Tal afirmativa pode significar, acima de tudo, o convite a novos estudos religiosos. Afinal, vivendo tempos sombrios, a humanidade precisa de muitas esperanças. Apesar de separar poemas tristes e alegres, quem sabe o que Roni quis dizer foi que Deus existe mesmo e com Ele não há final infeliz. Esse recado são para os céticos.
José Sana