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 CIDADE FANTASMA

Enquanto isso, num futuro mais ou menos distante, um professor levou seus alunos para conhecer uma cidade fantasma. Eles desceram de onibus nas ruínas daquela cidade que no passado chegou a ter mais de 140 mil habitantes e agora só tinha baratas, escorpiões e bichos peçonhentos. O professor recomendou que todos usassem máscaras, pois havia muita poeira de diamantes no ar. Antes recomendou que todos fizessem seus lanches dentro do ônibus, pra evitar qualquer tipo de contaminação. Logo que desceram do ônibus, o professor começou sua aula.

– Bem meus alunos, estamos aqui na cidade de Pedra Brilhante, que no passado foi uma importante cidade mineradora de diamantes e que foi totalmente abandonada pela população, pois com o fim da mineração, todos foram deixando a cidade. Durante um tempo, os mais velhos resistiram, mas com a decadência do comércio e do setor de serviços, foi impossível manter a infraestrutura funcionando.
– Professor…professor…não teve um caso de um profeta que avisou com anos de antecedência?
– Foi um poeta. Mas os profetas e poetas tem seus delírios né? Ninguém acreditou.
– Mas o que o poeta falou?
– Ele disse que não há exuberância que dure para sempre. Que um dia os diamantes iriam acabar.
– E o que aconteceu?
– O profeta poeta não só foi ignorado, como tornou-se maldito, foi expulso e endemonizado.
– Professor…e aquele ditado de que os diamantes são eternos?
– Eterna parece ser a arrogância humana. Durante um bom tempo a cidade curtiu o desenvolvimento econômico. A população aumentou. As pessoas vinham em busca de oportunidades e tudo ia muito bem.
– Mas quando é que aconteceu o fim da exploração?
– Veio de repente. A empresa saiu sem anunciar. Parou e pronto. Sem direito a reclamar, sem nada
– Mas professor…não é possível…ninguém alertou?
– Sabe aquele filme “Não olhem para cima”? Pois é! Avisos sempre teve. Mas na internet o povo começou a dizer que era fakenews. Quando alguém alertava alguma coisa, a empresa pagava a imprensa pra não dizer nada ou para destruir a biografia de quem criticava.
– E o que aconteceu com o fim dos diamantes?
– Colapso imediato. As empresas menores começaram a fechar. O comércio também. As pessoas que dependiam da mineradora ficaram sem empregos e explodiu a criminalidade. As pessoas começaram a procurar empregos em outras cidades. As propriedades perderam valor…
– Mas professor…e a empresa? Pelo menos pagou o pessoal?
– Foram impostas multas colossais, mas a empresa tem a melhor junta de advogados e muito dinheiro pra corromper deus e o povo.
– Nossa, professor. Não há esperanças para Pedra Brilhante?
– Esperança há de que o governo resolva reformar os monumentos históricos e transformar numa cidade museu, voltada para a cultura, para educação. Mas por enquanto a gente não vê essa perspectiva.
– Nossa professor que tristeza…
– Tristeza mesmo…agora vamos embora que não podemos ficar muito tempo expostos a poeira de diamantes no ar e a imbecilidade dos homens…

QUALQUER SEMELHANÇA COM A COINCIDÊNCIA É PURA REALIDADE.


MARCOS MARTINO PRODUÇÕES
Marcos Martino
Marcos Martino é alvinopolitano, compositor, cantor, produtor musical, articulista, ex-assessor de Comunicação da Prefeitura e ex-presidente da Casa da Cultura de João Monlevade.

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