0

Não queria ser a favor nem contra a SAF do Clube Atlético Mineiro nesse imbróglio ou novela chamada Hulk.  Não queria ser a favor nem contra o admirável craque de bola de nome completo chamado Givanildo Vieira de Souza, o Hulk Paraíba. O resultado de toda a polêmica entre ele e os proprietários dessa maldita sociedade é como se o resultado do jogo fosse zero a zero, ou 10 a 10. Ou seja, ninguém ganhou e ninguém perdeu. Torcidas, sim, estão perdendo de goleada. 

 

Contam que pelos lados da minha terra, um futebolista passou um telegrama, depois de uma partida de futebol, ao seu amigo fulano de tal, informando o resultado de B x C. Na íntegra, o telegrama saiu assim: “Cheguemu vg  juguemu vg num ganhemu nem perdemu vg empatemu vg Abraçu pt Nicodemu. O prélio entre o SAF do Atlético x Hulk está empatado, embora ainda não em patadas.

Infelizmente, não há, definida, uma solução para a novela que está sendo apresentada para o Brasil todo, nas emissoras de rádio, televisão e na internet. O que até agora ocorreu tem a ver o seguinte: despreparo total para a tal SAF resolver um simples problema. E como resolver se foi a própria incompetência dos 4Rs as criadoras da total bagunça, generalizada. Imagino que em portas fechadas os comandados de Rubens Menin estejam olhando um para o outro e calando-se diante do primeiro autor da iniciaiva de tamanho barraco.

 

Hulk soma 39 anos de idade, beirando os 40. E daí? Algum diretor, ou conselheiro, ou os próprios proprietários da SAF conhecem o atleta, ser humano e humanista Hulk Paraíba? Nunca observaram a sua diferenciação dos demais seres humanos, a dedicação ao que faz? Por acaso visitaram a sua academia particular, símbolo de seu amor ao esporte, à esfera redonda? Já perceberam ou não, que a cada ano, mês, semana, dia, hora, minuto, segundo, como o moço paraibano se recupera no preparo físico, técnico e na demonstração de que é um ser diferenciado?

 

Cinco anos de convivência e pensavam (ou ainda pensam?) que Givanildo é um “cabeça de bagre”, expressão inesquecível de Kafunga dirigida aos “pernas de pau” do futebol? Não perceberam com os fatos repetidos os acontecimentos que se estampam aos olhos do mundo? Faltou, sim, à diretoria do Atlético comprar uma bengala, ou uma muleta, ou um chamado andador, ou até uma cadeira de rodas e oferecer ao inigualável craque essas ferramentas. Todo mundo decide por si só a aposentadoria, por que a SAF aposenta Hulk? A decepção é a maior de todas. Esqueceram-se de ferramentas de que levavam Hulk para a porta do inferno aos trancos e barrancos? Traidores de si mesmos e de uma imensa torcida!

Faltou alguém no marketing do Galo e logo eu, que sou contra essa invenção endemoniada, digo isso. Mas sou favorável ao pensamento lógico, ao raciocínio. Entraram pelo cano e encontraram a torneira fechada. Poderiam ter recorrido aos escritos de Ariano Suassuna (1927-2014) e lerem apenas esta frase quando lhe perguntavam a idade: “Eu não tenho os anos que me atribuem: eles são que me têm”. A ideia de envelhecer não é mais  a única maneira de viver bem e mais. Isso é antigo, a medicina usa muito o termo, mas não funciona a essa altura, principalmente para os que se entendem com a natureza e obtêm dela ensinamentos divinos. E quem não crê que Hulk é um iluminado?

 

Então, seremos esses que iremos gritando por aí, nos estádios ou diante do rádio e da televisão, que Hulk não pode ser visto por QI (questão de idade), mas, quem sabe, uma indicação da Paraíba ou de São Sebastião do Rio Preto (acho que ele tem algo de lá). 

 

Alguém me pergunta o que o Atlético deveria fazer (ou ter feito) para não perder esse super herói. E eu, por se tratar de ser atleticano, faria o seguinte: convocaria a torcida para um jogo qualquer, uma simples pelada, digamos na Arena MRV. O time jogaria contra Qualquer Um Futebol Clube, Hulk escalado com a camisa 7. Chamaria o Mário Henrique Caixa para narrar esses momentos; os 4Rs do Atlético-MG, os empresários Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, que se ajoelhariam nos pé da simplicidade de  Givanildo Vieira de Souza e fariam um pedido de desculpas solene sob o fundo musical do Hino do Galo.

 

E só, estaria consumado um marco de humildade que todo ser humano deve carregar no coração: o reconhecimento de que errar é humano e o perdão pelo sentimento de que  o perdão é o mais significativo da criatura de Deus na face do Planeta Terra.

 

José Sana

Em 8 de janeiro de 2025

Fotos

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

    Apelo de um atleticano desde Kafunga, Lucas Miranda e Ramos: “o Galo não pode desfazer de Hulk; nunca, nunca, nunca!

    Matéria Anterior
    0 0 votes
    Article Rating
    Subscribe
    Notify of
    guest
    0 Comentários
    Oldest
    Newest Most Voted
    Inline Feedbacks
    View all comments

    Você também pode gostar

    Mais em Colunas