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Itabira, como nunca, teve tanto movimento nas ruas e nas contas bancárias como neste segundo semestre de 2023. Casas, apartamentos, veículos (caminhonetes cor branca) — os primeiros ocupados e as vias públicas invadidas com obras intensas sendo desmanchadas. É a mineração que chega ao fim, e não apenas em Itabira, mas também na Região Sudeste.

 

Sistema Pontal

 

Essa é a 13ª estrutura deste tipo eliminada pela Vale no Brasil a partir de 2019 e a sexta descaracterizada no município. Com isso, a empresa atinge a conclusão de mais de 40% das 30 estruturas previstas para serem eliminadas no Programa de Descaracterização, por terem sido construídas pelo mesmo método da barragem de Brumadinho.

O Dique 2 não recebia rejeitos desde 2019 e as obras de descaracterização geraram cerca de 200 empregos, diretos e terceirizados, priorizando a contratação de mão de obra local.

barragem

Com: Victor Eduardo/DeFato Online

Fotos/Imagens: redes sociais

 

Nota da Redação

 

Acontecimento histórico ocorre na cidade sem que a comunidade se aperceba de que se trata de algo grave.  Desde 1942, a Vale está em Itabira e se expande para o Brasil. Quando a empresa aqui se instalou menos de dez mil habitantes viviam a paz de uma cidadezinha qualquer. Hoje, com cerca de 113.343 pessoas, de acordo com  o Censo de 2022 do IBGE, parece ocorrer o fim do ciclo demográfico também, pelo menos para os próximos anos.

A cidade segue a vida indiferente. Normalmente, vagueiam por aí pesquisadores  de universidades que querem saber a reação do itabirano diante da iminência do fim. O que têm entendido, ou desentendido, é que a população parece não estar “nem aí com o que vem por aí”.

Seria ou não o momento de fazer o que o outro lado faz? O lado de lá, com todas as ferramentas nas mãos, prepara-se para partir. Há quem comente assim: “O que será de nós com o orçamento municipal caindo 80%?” Não há resposta para tal indagação.

A Câmara Municipal, composta de 17 parlamentares, discute com o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) sabem o quê? Anotem: Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCSV). Não seria o momento de saber quando as minas serão oficialmente fechadas? Há uma ação que tramita na Justiça proposta por advogados especialistas, requerendo o fechamento antecipado as minas.

Além de tudo — de que as minas podem parar antes de 2041 (ano previsto) — é preciso calcular de quanto será a nossa arrecadação anual, sabendo-se que  o custo atual da folha de pagamento atinge a super quantia de R$ 480 milhões/ano.  A receita da Prefeitura não chegará a R$ 300 milhões em cálculos otimistas.

O drama itabirano está previsto desde quando a Vale foi criada. Agora, nem com prazo de 20 anos está sendo discutida. Pesquisadores já cochicham entre si que nos tornamos mesmo “itabirutas” .

“Os cães ladram e a caravana passa”, diz o provérbio árabe. É só refletir para ver a gravidade da situação.

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

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