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CABRITO — Pronto. Somos objetivos. Agradeço a você vir a essa pracinha em obras para conversarmos sobre Cabritolândia, a cidade da cabritada e, democraticamente, dos demais bichos, até do bicho-homem, denominação de um prezado delegado de polícia. Transfiro à senhora a palavra, pedindo-lhe que defina para todos o significado de Prioridade, o seu prenome e gostaria que estabelecesse a nossa conversa sobre gestão, ou seja, prioridade em planejamento estratégico.

PRIORIDADE — Em sentido amplo, sou aquela que chega primeiro, ou se não chegar primeiro tem sempre a frente para ser a chamada inicial. A preferência nas filas privadas ou públicas ocupa o sentido amplo. Em planejamento estratégico e gestão pública ou de empresas é o centro de todas as citações que envolvem privilégios, precedências prevalências, preferências, por coincidência, mas tem também, escolha, opção, para variar.

C — Gostaria que a senhora me desse um sentido mais amplo, entendendo como foco o município de Cabritolândia que tem na frente hoje, na prefeitura, o senhor Bode Bravo. A gestão cabritolense leva em conta o que a senhora prega, dona Prioridade?

P — Boa pergunta, em cima da pinta, o senhor Cabrito traz na cara o grande problema da gestão, ou falta dela, nesta sofrida comuna. Anote aí: o grande problema nosso, nesta terra amada e pisoteada chama-se falta de mim, ou seja, ausência de Prioridade.

C — Cabritolândia tem o maior orçamento do Brasil proporcionalmente à sua população. Por que será que há um suposto desequilíbrio?

P — Politicagem, meu caro Cabrito. Qualquer pé-rapado ou lambedor de rapadura sabe disso. Veja bem: Bode Bravo foi eleito prometendo o futuro, escalonar prioridades, estabelecer a vontade do povo, prestigiar Cabritolância, criar isso, criar aquilo. Disse em cada comício que a sua prioridade seria Cabritolância, E o que aconteceu, você sabe. O que mais quer saber?

 

C — A senhora pensa que ele trazer gente de fora foi ruim pra ele?

P — O quê? Pedro Rapadura já deu uma aula sobre esse tema, gente de fora. Um prefeito já perdeu eleição praticamente por causa disso, aqui mesmo em Cabritolância. Mas, você sabe, a assessoria dele á muito desorientada, agitadora, estopim curto. E ele é totalmente submisso a ela. Não tem jeito de mudar. E têm outros fatores…

C — Quais são essas razões?

 P — Cortar a parceria com a Universidade Federal dos Indefesos (UFI) e proclamar que que quer saber dessa coisa indecorosa, dos malefícios do ensino pago pelo município…

 

C — Ele está ensaiando voltar atrás e disse que vai relançar a UFI de novo… A senhora não ficou sabendo?

 P — Fiquei, sim, mas não tem jeito mais. Como recuperar a cidade com três anos perdidos? O cabritolense já considerava atraso cuidar agora do futuro de Itabira e ele, depois de grandes promessas, querer reparar, politicamente, é perda de tempo, não tem como consertar essa coisa mais…

C — E as pracinhas? O que a senhora acha de Cabritolância, que já teve o nome de Onça, mudar o nome de Pracinholândia?

 P — Uma tragédia coerente. Já viu uma desgraça virar desgraça e meia? Pois aí estamos diante de quase fim do mundo. De que precisamos? Não é de empresas investindo na cidade, de ofertas de empregos, de desenvolvimento econômico? E vem o Bode Bravo (que só é bravo tocado pela sua assessoria louca) oferecendo favores de última hora na esperança de obter apoio político. A futura Pracinholândia terá um show de inaugurações, depois do quebra-quebra anunciado. Pracinholândia será assim: no princípio todos irão pras pracinhas, depois vem a fome e começam a resmungar. Mais tarde a maioria que tiver força racha fora e ninguém mais vai assentar-se nas vias redondas porque estarão, também sujas. Não haverá cuidadores nem de praças nem de velhos rabujentos.

C — E teremos pelo menos água para beber?

 P — Água não foi colocada na minha mesa, a modesta prioridade. Começam a encher o balde de água e quando chega o mistério, chutam o balde.

C — Como assim?

 P — A ideia é deixar essa água pra lá. Os inteligentes da turma de Bode Bravo estão fazendo os cálculos de que a população cabritolense cairá para 40 mil até 2026. Então, assim como sobram pracinhas sobrarão também águas e mais águas. Pelo menos uma coisa boa: de sede ninguém morrerá.

 

C — Lixo, esgoto, saneamento básico de modo geral não serão mais, como não têm sido, fatores prioritários?

 P — Espero que você tome conhecimento disto, com atraso de quase 30 anos: água, esgoto e lixo, ficaram como fatores incluídos na Licença Operacional Corretiva (LOC)do ano 2000. Todos os prazos foram esgotados e chegamos a 24 anos de preguiça total. A maléfica prefeitura cabritolense não teve nem a moral, nem a coragem, nem o pudor de ir lá e exigir que a empresa Fabrileca S. A. cumpra a sua obrigação, pague a sua enorme dívida.

C — Como a senhora explica essa falta de pagamentos, incluindo a que já foi levantada por um velho prefeito?

 

P — Explico facilmente: moleza, falta de amor, desinteresse pela cidade. Quer saber o que um prefeito de cidade da região fez recentemente e arrancou milhões de dólares da Fabrileca? Anote aí: Deitou na linha férrea e o minério, o ouro, as notas de 200 reais ficaram paradas. Não tiveram peito de passar em cima do prefeito.

C — Nossaaaa!!! Eu não sabia dessa. Que coragem? Aproveito essa ideia do prefeito para mandar ao Bode Bravo que, repito, de bravo até o chife dele não ataca mais.

Cabrito

23/04/2024

 PS: Qualquer semelhança com a realidade nua e crua de personagens e fatos é simples ilusão. Favor se atentar para o termo “imaginário

NS
José Sana, jornalista, historiador, graduado em Letras, nasceu em São Sebastião do Rio Preto, reside em Itabira desde 1966.

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