IDIOTIZAÇÃO
* Fernando Martins
A teoria da Evolução das Espécies, por Charles Darwin, ou a maçã que caiu na cabeça de Isaak Newton, quando ele se aventurou, pela física, foram consequências e sinais claros do universo.
“ — Ah… na natureza, nada se cria, tudo se transforma…”, afirmava Lavoisier lá pelos idos de 1785.
Poderíamos citar várias outras grandes descobertas do mundo da ciência. Tempos mais profícuos? Os humanos eram melhores do que hoje?
O ponto que me chamou a atenção e me motivou a escrever esta crônica de hoje é um vídeo que circula na internet, de um smartphone engolindo pessoas, enquanto legendas destacam os efeitos nocivos dessa tecnologia que vem “matando” a imprensa, a câmera fotográfica, a televisão, o cinema, o rádio, lanternas, espelhos, livros, casamentos, dinheiro em papel e lojas de portas abertas. Ao final, catastroficamente, aponta para as extinções das almas e da próxima geração. Vídeo me encaminhado pelo jornalista e amigo José Sana.
Associei a mensagem, na hora, a um processo no mínimo ‘emburrecedor’. A moda das lives de NPC (Non-Player Character, ou personagens não-jogáveis, em tradução literal). Falo de jovens que se vestem de personagens de jogos de computadores e ficam horas diante da câmera do celular, repetindo frases infantilizadas e gestos “robotizados”. A cada interação com internautas de outras plagas (ou pragas?), rendem engajamentos e vão “crescendo” a live, que, aos milhões de interações, podem render bizarros 50 mil reais num mês. Pelo menos é o que expôs a manchete do Correio Brasiliense, de 28 de setembro passado.
Passado fico eu! Como assim, que aquelas repetições esquisitas dão dinheiro? Por que dão audiência e por que ficam presos às aquelas telas monótonas, totalmente previsíveis e bestas? Seria algum tipo de efeito ‘cinestésico?’ Ou algum poder de abdução da tecnologia?
De volta ao vídeo de Sana, têm mesmo os celulares tamanhos poderes? E de volta aos grandes gênios do passado, a humanidade está realmente ameaçada de ‘emburrecimento’ por causa ou culpa da tecnologia? E quais humanos teremos aqui neste planeta, depois dos avanços mais recentes da Inteligência Artificial?
Honestamente, não me soa a exagero admitir a hipótese do destino: máquinas mais e mais inteligentes artificialmente no comando e humanos cada vez mais idiotizados, também, artificialmente. É isso mesmo, produção?
Com relações às profissões, quanto mais as tecnologias chegam para ajudar, mais elas exigirão de todos nós, principalmente nas capacidades de discernimentos, de captar emoções e de transmitir, de forma naturalmente inteligente e humana, as mensagens e retornos potencializados. Para que não venhamos a nos transformar em robôs acéfalos, o caminho é pela velha e testada educação. Do contrário, creio haver risco, sim, de sermos superados, de boa parte da humanidade sucumbir, não só à tecnologia, mas principalmente por quem a domina e está por trás, sejam eles humanos, alienígenas ou chips de computadores. Vá saber… Sacou ou quer que desenhe!?
Pois é… tudo na vida tem um custo. O sol, o sal, o ovo, a banha de porco, os refrigerantes, a cerveja, o controle remoto, o dinheiro (ou a falta dele), o açúcar, os remédios, os automóveis. Tudo. Tudo pode ser bom, ou ruim. Depende de como os colocamos em nossas vidas.
* Fernando Martins é produtor audiovisual, fotógrafo e podcaster
Parabéns texto maravilhoso e bem elaborado o conteúdo e sagaz parabéns concordo 1000por cento